Expectativa da vacina e reforma tributária puxam dólar para baixo

Por Estadão Conteúdo

O real teve o melhor desempenho nesta segunda, 20, em uma cesta de 34 divisas internacionais, em meio ao otimismo com o avanço da vacina para o coronavírus, da possível nova proposta para a criação de um fundo trilionário na Europa e da reforma tributária no Brasil, que levou o Ibovespa a superar os 104 mil pontos. Após uma manhã volátil, a moeda americana firmou queda nos negócios da tarde, sobretudo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que uma vacina sairá "muito em breve".

Após subir 1,1% na semana passada, o dólar à vista fechou a segunda-feira em baixa de 0,72%, a R$ 5,3417. No mercado futuro, o dólar para agosto era negociado em queda de 0,69% às 17h, cotado em R$ 5,3510.

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Operadores destacam que também ajudou a retirar pressão do câmbio o superávit comercial de US$ 1,759 bilhão registrado pelo Brasil na terceira semana de julho (de 13 a 19). Com isso, o saldo positivo acumulado no mês atingiu US$ 4,7 bilhões. Com fuga de recursos estrangeiros do mercado financeiro, operadores ressaltam que é pelo canal comercial que tem entrado primordialmente dólares no Brasil e hoje houve novos relatos de fluxo positivo.

O economista da Advanced Corretora de Câmbio, Alessandro Faganello, ressalta que o aumento da esperança para a vacina contra o covid aliado a expectativa do fundo europeu ajudam a estimular a busca por ativos de risco, na véspera do dia em que o governo prometeu entregar sua proposta de reforma tributária no Congresso, nesta terça-feira, 21.

Os analistas do banco americano JPMorgan avaliam que é positiva a tentativa do governo e Congresso de buscar algum avanço das medidas tributárias e que isso pode melhorar a "narrativa de curto prazo" para o Brasil. Mas o JP se mostrou cético de que o governo vai conseguir aprovar uma "ampla reforma" em 2020 e mesmo em 2021. Para a consultoria norte-americana Eurasia, a tributária pode andar na Câmara este ano, mas a aprovação no Senado deve ficar para 2021.

No mercado internacional de moedas, o dólar teve um dia de enfraquecimento quase que generalizado. O DXY, índice que mede o comportamento da moeda americana ante divisas fortes, chegou a testar os menores valores desde março, enquanto o euro, amparado pela perspectiva de criação do fundo europeu, subiu para as máximas em 19 semanas, de acordo com o banco Western Union. A expectativa também é de avanço para um novo pacote fiscal nos Estados Unidos.

No câmbio brasileiro, os economistas do Rabobank mantiveram a projeção de real enfraquecido, com dólar em R$ 5,45 em dezembro e R$ 5,10 ao final de 2021. O banco destaca que indicadores têm sugerido que a atividade econômica brasileira pode estar se recuperando mais rapidamente, mas a previsão por enquanto foi mantida em contração de 7,3% este ano.

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