Operação Snake: naja de Brasília faz Polícia Civil deflagrar operação contra tráfico animal

Ação ocorre após estudante ser picado por cobra que criava ilegalmente em casa

Por Agência Brasil

Policiais civis do Distrito Federal (DF) e agentes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) cumpriram hoje (16) quatro mandados de busca e apreensão com o objetivo de recolher provas contra um grupo investigado por suposto envolvimento com crimes ambientais – incluindo possível tráfico de animais.

A ação faz parte da segunda fase da chamada Operação Snake, deflagrada após o estudante de veterinária Pedro Henrique Lehmkul, de 22 anos, ter sido picado por uma naja – espécie de cobra originária da Ásia, cujo veneno pode matar.

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Embora o Brasil proíba a criação desses animais, Lehmkul mantinha uma naja de cerca de 1,5 metro em sua casa, no Guará II. Picado pela cobra no último dia 7, ele socorrido às pressas e passou quase uma semana internado em um hospital particular do Gama (região administrativa do Distrito Federal, a cerca de 30 quilômetros do centro de Brasília), em coma induzido.

Nesta segunda-feira (13), o estudante recebeu alta médica. Seu tratamento exigiu que o Instituto Butantan remetesse de São Paulo para Brasília o soro antiofídico que tinha armazenado para o caso de um de seus pesquisadores que estudam a naja ser picado.

Após o incidente, agentes do Batalhão da Polícia Militar Ambiental encontraram a naja dentro de uma caixa abandonada na região central de Brasília. O animal foi então entregue ao Ibama, que o repassou para o Zoológico de Brasília.

A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar como o animal foi trazido ao Brasil, onde era mantido ilegalmente. O suspeito é aguardado para prestar depoimento. Os mandados de busca e apreensão cumpridos hoje tinham como alvo endereços ligados a Pedro Henrique e a amigos do jovem. O coronel da Polícia Militar Eduardo Condi, padrasto, é um dos alvos da investigação, suspeito de ter ajudado o enteado a ocultar provas.

Outras descobertas
Dois dias após o caso do estudante vir a público, o Batalhão de Polícia Militar Ambiental encontrou 16 serpentes escondidas em caixas encontradas em uma área rural de Planaltina, a cerca de 40 quilômetros de Brasília. A própria corporação concluiu que os dois casos têm ligação.

Os policiais militares chegaram até o local graças a uma denúncia anônima. O dono da chácara onde as serpentes foram encontradas informou que não sabe como os animais foram parar ali.

Na sexta-feira (10), a Polícia Civil descobriu mais sete serpentes em uma chácara da região administrativa de Samambaia. A ação foi decorrente da Operação Squamata, que visou combater crimes contra a fauna e manutenção ilegal de répteis.

No sábado (11), a Polícia Civil apreendeu a segunda cobra pertencente a Pedro Henrique. Segundo a polícia, a jiboia arco-íris foi encontrada no apartamento de um suposto amigo de Pedro Henrique, também no Guará.

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