Recessão econômica será a pior desde a 2ª Guerra Mundial

Estudo prevê redução econômica global de 6,2% ainda neste ano. Situação pode levar milhões de pessoas à extrema pobreza

Por Metro Jornal

O choque rápido da pandemia de coronavírus e as medidas de bloqueio total para contê-la lançou a economia mundial em uma recessão severa. Segundo previsões do Banco Mundial, a economia global sofrerá redução de 6,2% neste ano. Isso representaria a recessão mais profunda desde a Segunda Guerra Mundial (queda de 15,4%), com a maior proporção de economias desde 1870 a experimentar declínio do produto per capita, afirma o Banco Mundial em sua publicação Global Economic Prospects.

A atividade econômica entre as economias avançadas deverá encolher em 7% em 2020, tendo em vista as graves perturbações na oferta e procura, no comércio e nas finanças. As Emed (Economias de Mercado Emergente e em Desenvolvimento), entre as quais está incluída a do Brasil, devem diminuir em média 2,5% este ano, sua primeira contração como grupo em pelo menos 60 anos. A expectativa de declínio para a renda per capita é de 3,6%, o que levará milhões de pessoas à situação de pobreza extrema neste ano.

O golpe afeta mais os países em que a pandemia foi mais grave e onde há forte dependência do comércio global, do turismo, da exportação de produtos primários e do financiamento externo. Embora a magnitude dos distúrbios varie de uma região para outra, todas as Emed apresentam vulnerabilidades que são intensificadas por choques externos. Além disso, interrupções no sistema escolar e no acesso à atenção de saúde primária provavelmente terão impactos duradouros no desenvolvimento do capital humano.

Mapa econômico da pandemia

Cicatrizes duradouras

“Trata-se de uma perspectiva profundamente desanimadora, com a probabilidade de a crise causar cicatrizes duradouras e impor grandes desafios globais”, disse a vice-presidente de Crescimento Equitativo, Finanças e Instituições do Grupo Banco Mundial, Ceyla Pazarbasioglu. “Nossa primeira ordem do dia é fazer face à emergência global de saúde e economia. Além disso, a comunidade global deve unir-se para encontrar maneiras de reconstruir a recuperação mais robusta possível para evitar que mais pessoas caiam na pobreza e no desemprego.”

Segundo a previsão de referência – que pressupõe que a pandemia se atenue o suficiente para permitir a suspensão das medidas de mitigação internas até meados do ano nas economias avançadas e um pouco mais tarde nas Emed, que os efeitos secundários globais adversos abrandem no segundo semestre deste ano e que os deslocamentos dos mercados financeiros não sejam duradouros –, o crescimento global deve recuperar-se para 4,2% em 2021, com as economias avançadas crescendo 3,9% e as Emed recuperando-se para 4,6%.

Recuperação lenta

De acordo com o Banco Mundial, as perspectivas são extremamente incertas,  com o predomínio de riscos no sentido descendente, incluindo a possibilidade de uma pandemia mais prolongada, instabilidade financeira e retração do comércio global e cadeias de suprimento. Um cenário mais negativo poderia acarretar uma redução da economia global em até 8% neste ano, seguida de uma recuperação lenta em 2021 de apenas 1%, com uma contração do produto das Emed de quase 5% este ano.

Ações públicas como alternativa

A pandemia destaca a necessidade urgente de ações de política econômica e de saúde, incluindo a cooperação global, para amortecer suas consequências, proteger as populações vulneráveis e fortalecer a capacidade dos países para prevenir e lidar com eventos semelhantes no futuro.

Segundo o estudo do Banco Mundial, é extremamente importante para as economias de mercado emergente e em desenvolvimento, que são especialmente vulneráveis, reforçar o sistema de saúde pública, abordar os desafios impostos pela informalidade e redes de proteção social limitadas e implementar reformas para gerar crescimento forte e sustentável assim que a crise passar.

As economias de mercado emergente e em desenvolvimento com espaço fiscal disponível e condições de financiamento economicamente acessíveis deveriam considerar estímulos adicionais se persistirem os efeitos da pandemia. Isto deveria ser acompanhado, diz o estudo, de medidas para ajudar a restaurar a sustentabilidade fiscal de médio prazo, incluindo medidas que fortaleçam os quadros fiscais, aumentem a mobilização de receita interna e eficiência das despesas, e elevem a transparência fiscal e da dívida.

Os economistas têm uma certeza: a transparência quanto a todos os compromissos financeiros, investimentos e instrumentos como a dívida pública é um passo essencial para criar um clima de investimento atraente e poderia ter progresso substancial este ano, conclui o Global Economic Prospects.

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