Polícia Militar matou mais e prendeu menos em maio

Por Publimetro com Estadão Conteúdo

Em média, mais de duas pessoas foram mortas por dia em ações da Polícia Militar no Estado de São Paulo. Em maio, foram 71 mortes decorrentes de intervenção policial, segundo dados oficiais do governo paulista divulgados no Diário Oficial nesta terça-feira (30).

No mesmo mês em 2019, o número de mortes foi 67. Os números se referem à ocorrências em que há pressuposição de legitimidade nas ações policiais, como, por exemplo, em tiroteios.

Ainda, oito casos de homicídio doloso, quando há intenção de matar, foram praticados por PMs em maio. Estes dados incluem ocorrências com agentes em serviço ou em folga.

No mesmo período, todos os indicadores de produtividade policial tiveram queda. Em maio, embora a polícia tenha matado mais, ela prendeu menos (-38%), recuperou menos veículos (-50,7%) e tirou menos armas ilegais das ruas.

Os aumentos consecutivos da letalidade têm preocupado a gestão João Doria (PSDB) e motivado críticas até de entidades de classe. Em abril, o índice já havia atingido patamar recorde para os primeiros quatro meses do ano.

Uma análise de boletins de ocorrências, disponibilizados no Portal da Transparência da Secretaria da Segurança Pública (SSP), mostra que a maior parte dos casos entre janeiro e maio aconteceu na capital, com prevalência em bairros mais pobres, na periferia.

Para a desembargadora Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o aumento não está aliado a um cenário de maior violência urbana, considerando a quarentena em que se encontra o Estado. "Fica a sensação de que se trata, na verdade, de um problema de comportamento da polícia", opina.

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