SP: Idosa de 61 anos é resgatada morando em depósito dos patrões, sem banheiro ou salário

Por Metro Jornal

Sem salário, alimentação ou acesso a banheiro, uma idosa de 61 foi mantida durante anos numa casa no Alto de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, em situação de trabalho escravo contemporâneo.

A senhora foi resgatada por agentes da Justiça do Trabalho paulista, em um quartinho nos fundos da casa, que estava à venda após seus donos se mudarem. A residência pertence à gerente de marketing da Avon no Brasil Mariah Corazza Ustundag. Confira o comunicado oficial da Avon no final da matéria.

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Mariah chegou a ser presa em flagrante na quinta-feira (18), mas foi solta ao pagar fiança de R$ 2,1 mil. Ela e seu marido foram indiciados por redução a condição análoga à de escravo, abandono de incapaz e omissão de socorro.

O advogado da família, Eliseu Gomes da Silva, afirmou que os Corazza não pretendem se manifestar sobre a situação neste momento.

Escravidão contemporânea
A idosa não tinha acesso à casa principal, e só ficou sabendo que seus patrões tinham se mudado após ser avisada pelos vizinhos. O quarto onde vivia era uma espécie de depósito, com móveis e caixas amontoadas e um sofá velho, usado como cama. A mulher não tinha acesso a banheiro.

De acordo com a procuradora do trabalho responsável pelo caso, Alline Pedrosa Oishi Delena, a situação da mulher foi denunciada para o Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos.

A residência pertence à cosmetóloga Sônia Corazza, que empregou a mulher por 13 anos sem carteira assinada, sem férias ou décimo terceiro.

Em 2011, a empregada ficou desabrigada após sua casa desabar. Segundo ela, Sônia Corazza ofereceu abrigo em outra casa, também da família, porém deixa de lhe pagar seu salário.

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Em 2017, a idosa se muda para os fundos do imóvel onde foi resgatada, e passa a trabalhar para a filha de Sônia, Mariah, e seu marido, Dora Ustundag. Ela passa a receber um salário irregular de R$ 200.

Desde o início da pandemia, a mulher foi ainda mais abandonada por seus patrões. Segundo o depoimento de uma vizinha da residência, a empregada deixou de ter acesso ao único banheiro que podia utilizar, na lavanderia da casa, e teve socorro negado ao sofrer uma queda no vão de uma escada.

Agora, a vítima está abrigada na casa de outro morador na mesma rua. O casal Ustundag, a pedido do Ministério Público do Trabalho, poderá ser obrigado a lhe pagar uma pensão no valor de um salário mínimo. O MP também solicitou a liberação de três parcelas de seguro-desemprego para garantir alguma renda à senhora

Comunicado da Avon
Em comunicado enviado à redação, a Avon afirma que Mariah não mais integra o quadro de colaboradores da companhia. Anteriormente, a brand manager havia sido afastada para "apuração dos fatos".

Em atualização posterior, o comunicado ainda afirma que a empresa está se mobilizando para ajudar a vítima.

Veja na íntegra:

“Com grande pesar, a Avon tomou conhecimento de denúncias de violações dos direitos humanos por um de seus colaboradores. Diante dos fatos noticiados, reforçamos nosso compromisso irrestrito com a defesa dos direitos humanos, a transparência e a ética, valores que permeiam nossa história há mais de 130 anos. Informamos que a funcionária não integra mais o quadro de colaboradores da companhia. A Avon está se mobilizando para prestar o acolhimento à vítima.”

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