Intoxicação por queimadas pode colapsar a saúde pública durante pandemia

Aumento de pessoas com problemas respiratórios oriundos das queimadas pode agravar a situação do sistema de saúde já sobrecarregado com a covid-19

Por Metro Jornal

Com a estiagem comum entre o fim do outono e o inverno, as queimadas podem tornar-se ainda mais frequentes e disseminadas no bioma amazônico. Mesmo com a maior parte das queimadas sendo fruto de ações criminosas, chamas podem também surgir espontaneamente em momentos em que a vegetação está muito seca.

No entanto, este problema não é só da natureza: além dos malefícios trazidos pela prática ao solo, à biodiversidade e à atmosfera do planeta, o fogo pode se tornar um grave problema para a saúde pública.

A fumaça e a poluição agravam problemas respiratórios, afetando comunidades próximas aos pontos de queimada. A degradação da vegetação pelo fogo gera um resíduo tóxico, que fica suspenso no ar e pode, inclusive, ser levado pelo vento a cidades mais distantes.

Segundo a Comissão Científica de Doenças Ambientais e Ocupacionais da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) estão entre os sintomas da inalação de fumaça pelas queimadas, ardência na garganta, tosse, cansaço, falta de ar, rouquidão e boca seca.

Uma boa parte destes sintomas coincide com aqueles da covid-19, doença gerada pelo novo coronavírus e que já vitimou fatalmente mais de 40 mil brasileiros. Não apenas estas semelhanças dificultam o diagnóstico, podendo mascarar uma infecção pelo coronavírus, mas também aumentam o número de pacientes precisando de leitos de hospital.

De acordo com uma pesquisa da Fiocruz, que foi coordenada pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT), o número de crianças internadas com problemas respiratórios dobrou em áreas afetadas por queimadas na Amazônia. No ano passado, entre maio e junho, foram de 2,5 mil internações a mais nos hospitais, em relação ao período sem fogo.

O que esperar do período de estiagem
Instituições alertam que nesse ano o fogo deve prejudicar ainda mais a Amazônia. De acordo com uma estimativa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), até o final de julho o país pode ter até 9 mil km² de extensão na Amazônia que poderão ser queimados.

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) pontuou que foram registrados 5.655 focos de incêndio na Amazônia entre janeiro e junho de 2020. O Instituto pontua ainda que as queimadas devem aumentar justamente nos próximos meses, quando a estiagem é mais severa.

Empresas se mobilizam
Na eminência das queimadas virarem uma calamidade pública, entidades governamentais e privadas precisam intensificar os esforços para combater esse distúrbio. Uma das entidades que promovem a integração e cooperação dos entes amazônicos é a PanAmazônia. A organização reúne indivíduos, instituições e empresas que atuam na Amazônia e possui sede em Manaus.

Manter esse bioma e os outros protegidos e conservados é preservar a própria vida em si. Por causa desse entendimento, todo o nosso trabalho precisa mirar no respeito ao meio ambiente como um projeto contínuo e constante”, defende Gilvan Guidin, membro da PanAmazônia e diretor financeiro da fintech UzziPay.

A empresa dirigida por Guidin funciona como um banco digital, e mantém uma área de 700 hectares em Porto Velho, Rondônia, destinada à preservação. A fintech fica responsável por custear a proteção da área, que é monitorada por solo, drone, voos tripulados e imagens de satélite.

Loading...
Revisa el siguiente artículo