São Paulo cria cartilha de higiene para entregadores de aplicativos

Por Jennifer Tisovec - Metro Jornal

Quem ainda não pediu algum tipo de delivery durante a quarentena? Seja para comer um fast-food, comprar algo para sua casa ou até para não ter que fazer o mercado pessoalmente. Segundo levantamento feito entre fevereiro e abril deste ano pela AppsFlyer (plataforma de análise e atribuição de marketing móvel), houve crescimento de 700% em instalações de aplicativos de entrega e de 234% em suas utilizações. Na média nacional, o Brasil registrou aumento de 25% em instalações.

Um outro estudo, feito pela Corebiz (empresa de inteligência para marcas do varejo), mostrou que as compras por delivery no segmento alimentício cresceram 77% em março em relação a fevereiro.

E realmente é mais seguro fazer pedidos pelos apps e receber direto em casa, já que assim o cliente evita sair. Mas e como fica a segurança do entregador?

A secretaria de Estado da Saúde de São Paulo publicou no último dia 11 uma portaria com uma série de regras que devem ser tomadas por profissionais de coleta e entrega de mercadorias para evitar o contágio pelo novo coronavírus (veja abaixo).

Seja de moto, bicicleta, a pé ou de carro, qualquer serviço de entrega feito por meio de apps no estado precisa adotar as medidas de segurança. Quem descumpri-las poderá sofrer penalidades.

Porém, de acordo com o diretor do SindimotoSP (sindicato dos motociclistas do estado) Gerson Silva, os profissionais estão tendo que lidar com os cuidados sem o auxílio das empresas de entrega, que não estão cumprindo as determinações da portaria.

O trabalhadores relatam ter medo de contrair o vírus durante o expediente, a cada entrega, e também se queixam de cansaço por conta do aumento do ritmo de trabalho acompanhado pelo crescimento do número de pedidos por apps.

Segundo o diretor do SindimotoSP, os motoboys querem uma precificação justa pelo volume de trabalho.

Para reivindicar isso, os entregadores dos aplicativos de entrega James, Uber Eats, IFood, Rappi e Loggi planejam cruzar os braços no próximo dia 1º de julho, a partir das 9h, e paralisar o serviço em todo o país. Ainda assim, de acordo com Silva, apesar das discussões, não há até o momento a confirmação de que a paralisação irá de fato ocorrer.

Resposta empresa

Questionado sobre o fornecimento dos kits de higiene e as orientações aos seus colaboradores, o IFood não quis se pronunciar.

A empresa de entrega Rappi afirmou que está “seguindo as orientações das autoridades competentes e sob a supervisão de uma infectologista brasileira tem se antecipado e colocado em prática uma série de protocolos de segurança e de comunicação com todos os elos de seu ecossistema”.

A empresa reforçou que a segurança de todos seus funcionários, parceiros e usuários é “prioridade absoluta” e reiterou a importância de que todos sigam as orientações e recomendações das autoridades.

Delivery mais seguro

Procedimentos que devem ser cumpridos pelos aplicativos e pelos entregadores de acordo com portaria do governo do estado:

  • As empresas precisam fornecer aos seus funcionários –sem custos extras a estes – kit de higienização das mãos e equipamentos de trabalho (com água e sabão, álcool gel e toalhas de papel). O kit deve ser repostos sempre que necessário.
  • O profissional que tiver sintomas de covid-19 devem ficar em casa por 14 dias e apenas retornar ao trabalho com pelo menos três dias sem os sintomas ou liberação médica.
  • Orientações  claras sobre medidas de etiqueta respiratória (evitar tocar o rosto) e como deve ser feita a higienização de todos os equipamentos devem ser passadas aos profissionais.
  • O entregador também deve se restringir apenas à portarias e portões, evitando ao máximo entrar em elevadores e hall de entrada.
  • É importante que o pagamento por cartão digital diretamente pelo app seja incentivado para evitar o contato e, principalmente, o uso de dinheiro.
  • As máscaras faciais devem ser entregues em maior quantidade, de modo a durar todo o período do expediente (já que devem ser trocadas a cada três horas).
  • Os veículos e bags também devem ser constantemente higienizados, assim como capacetes e uniformes.
  • Se houver mais entregadores no local de entrega, manter o distanciamento social destes. Não deixar pacotes e compartimentos de entrega no chão.
  • As maquininhas utilizadas para pagamento devem ser protegidas por material impermeável para facilitar a limpeza.

Fonte: Portaria CVS – 13 da secretaria de estado da saúde


*Com supervisão de André Vieira

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