Em São Paulo, covid-19 mata seis pessoas por dia dentro de casa

Por Metro Jornal com Estadão Conteúdo

Desde o primeiro óbito confirmado na cidade de São Paulo, em 16 de março, a doença causada pelo novo coronavírus matou, em média, 6,1 pessoas por dia. Dados da Secretaria Municipal da Saúde da capital mostram ao menos 409 mortes de doentes com suspeita ou confirmação de covid-19 dentro de suas casas.

A maioria (82,1%) destas vítimas está na faixa acima dos 60 anos, sendo 240 delas maiores de 75. No entanto, duas destas mortes em domicílio acometeram crianças, e outras nove afetaram pessoas com idade inferior a 40 anos.

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Os bairros da periferia paulistana dominam a lista de mortes em domicílio por covid-19, sendo Cidade Ademar, Pirituba, Capão Redondo, Cidade Dutra, Grajaú, Cangaíba e Vila Medeiros, juntos, responsáveis por 72 dos casos. A disparidade geográfica entre bairros centrais e periféricos revelam uma maior dificuldade destes últimos em acessar o sistema de saúde da cidade.

Doentes com covid-19 podem morrer dentro de casa por múltiplas razões. Entre elas, está a rápida evolução da doença após os primeiros sintomas: o infectado pode não ter tempo de buscar ajuda por apresentar uma piora muito repentina. Pode ocorrer, também, da assistência ser procurada e não oferecida, seja por falta de leitos ou recursos para transportar o paciente e recebê-lo num hospital.

Uma terceira razão é que, numa primeira visita ao centro médico, o doente pode apresentar sintomas leves e, assim, ser dispensado. Em casa, no decorrer dos dias, os sintomas podem piorar, até ser tarde demais. Isto é comum em casos em que o paciente possui doenças pré-existentes, que podem ser impulsionadas pelo vírus.

Dados do Portal da Transparência do Registro Civil compilados pelo jornal Estadão mostram que, por todo o país, o número de mortes dentro de casa em 2020, aumentaram 15,8% em relação ao ano anterior, tendo causas não apenas em doenças respiratórias.

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