Sair de casa na pandemia? Só se for de bike

Por Metro Jornal

A pandemia foi o suficiente para impulsionar a bicicleta como solução de mobilidade urbana no mundo inteiro. Não só um meio de transporte ativo saudável, é ideal para fazer grandes deslocamentos evitando aglomerações no transporte público – cenário comum nas metrópoles brasileiras.

A preferência pelas bikes, que já existem há mais de 200 anos, tem um motivo simples: ao conduzir sozinho, é possível manter o distancimento social tão recomendado nessa quarentena. Além disso, menos poluição significa uma qualidade do ar melhor, fator importante quando uma doença respiratória, a covid-19, mata milhares diariamente.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda o uso da bicicleta, porque, junto a caminhar, é o mais seguro no contexto de pandemia. Na Europa e na América do Norte, onde muitos países já têm infraestrutura cicloviária, as vendas aumentaram. Mas,  além disso, o uso da bike é incentivado, como na Itália, por exemplo – quem comprar uma até o fim do ano pode receber até € 500 de volta (cerca de R$ 2.800). Tudo bancado pelo governo.

“Várias cidades estão fazendo ciclovias emergenciais, temporárias, com destinação do espaço da via para isso. Essas soluções, normalmente, são paralelas a linhas de transporte público bastante utilizadas, que é justamente para ter uma migração modal”, conta Leticia Sabino, presidente da  ONG SampaPé.

E no Brasil?

A iminente reabertura gradual do comércio é uma realidade no país, mesmo com recordes diários de óbitos por covid-19. Como se proteger para se locomover em cidades onde o transporte público é lotado e não existe a possibilidade de manter distância de dois metros das pessoas? Neste cenário, a bike parece ser a melhor solução, mas é necessário considerar as especificidades de cada local.

“Uma condição das nossas cidades é que elas são muito espraiadas, têm alguns deslocamentos que vão ser muito longos, principalmente periferia-centro, nas grandes cidades todas. É preciso pensar nessas estruturas”, diz Sabino. “A gente tem outro contexto socioeconômico de acesso à bicicleta, então essas políticas têm que vir acompanhadas de sistemas de compartilhamento ou doação”, afirma ela.

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