Mulheres trabalham em casa 10 horas mais que homens

Por Metro Jornal

Mais de 10 horas por semana. Essa continua sendo a quantidade de tempo que diferencia a dedicação de mulheres e homens aos afazeres e cuidados domésticos no Brasil. Cabe a elas a maior jornada. Os dados, que continuam evidenciando a grande desigualdade entre os gêneros nesse tipo de tarefa, mesmo antes da pandemia do coronavírus, estão no suplemento “Outras Formas de Trabalho”,  da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A analista do IBGE e responsável pela pesquisa, Alessandra Brito, destaca que, em 2019, as mulheres trabalharam em casa quase o dobro do que os homens por semana.

21,4 horas semanais

“Em média, os homens dedicavam a afazeres e cuidados, semanalmente, 11 horas, enquanto as mulheres dedicavam, em média, 21,4 horas. Ou seja, nós temos as mulheres dedicando, em média, 10,4 horas a mais em atividades de afazeres e cuidados”, diz Alessandra.

Homens ajudam

O levantamento apontou ainda, porém, que a participação dos homens nos afazeres domésticos vem crescendo: a taxa subiu 6,7 ponto percentual entre 2016 e 2019, período em que a taxa de homens que realizavam essas tarefas saltou de 71,9% para 78,6%. Mesmo assim, as mulheres não só continuaram sendo as que mais se dedicam a esses trabalhos, como também tiveram participação crescente, com avanço de 89,9% em 2016 para 92,1% em 2019.

Mas menos tempo

Segundo a analista, o número de homens fazendo tarefas domésticas pode continuar crescendo, mas o tempo que eles dedicam a essas atividades permanece baixo porque o tempo exigido para cada afazer varia.

“Por exemplo, um marido que tire o lixo de casa ou leve os filhos na escola está entre os homens que fazem afazeres domésticos, mas o tempo despendido com essas tarefas é muito diferente do que o tempo exigido para cozinhar, fazer a limpeza do domicílio ou lavar roupa”, afirma Alessandra.

Pretas e pardas

A pesquisa identificou também mais uma vez a desigualdade racial. Entre as brasileiras, as pretas e pardas são as que mais assumiram as tarefas de cuidado do lar. “Quando a gente analisa o cuidado de pessoas, a gente vê que existe diferença, sim, entre mulheres de cor preta e parda, com taxas maiores, em torno de 39%, enquanto as mulheres de cor branca têm uma taxa de realização de cuidados menor, 33,5% em 2019”, diz a analista do IBGE.  

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