Metro Jornal investiga a atual situação de covid-19 na África

Por Metro Jornal

A atual crise em virtude do novo coronavírus afetou quase todas as regiões do mundo. Entre elas, o continente africano, que historicamente sofre com a pobreza e a falta de infraestrutura. No início desse ano, a OMS (Organização Mundial da Saúde) alertou que milhares de pessoas na África poderiam morrer em virtude da covid-19 se as autoridades não se posicionassem de modo combativo à pandemia.

A propagação da doença no continente tem sido mais lenta do que o esperado, mas especialistas afirmam que a falta de teste explica o número baixo de casos.“45 dos 47 países da região africana reportaram casos para a doença, embora menos do que seria esperado”, afirmou a OMS em um relatório divulgado no início de maio.

Situação atual

Estatísticas mostram que a região africana já ultrapassou 100 mil casos positivos para a covid-19. Todavia, os números representam menos de 2% do mundo, enquanto a população do continente representa 13,7% da população mundial. De acordo com especialistas e as autoridades locais de saúde, o índice é resultado do baixo número de testes realizados.

“Desde que o primeiro caso foi relatado no continente, de 14 de fevereiro até meados de abril, não estávamos testando o suficiente”, disse ao Metro Internacional  Benjamin Djoudalbaye, chefe de política, saúde e comunicação do Centro de Controle de Doenças da África.

John Nkengasong, diretor do órgão, acredita que não foram realizados testes o suficiente no continente para detectar o vírus, devido à sua falta no mercado e a dificuldade em obtê-los.

Embora exista alguma tranquilidade ao baixo número de infecções africanas, os especialistas acreditam que a disseminação da covid-19 pode acelerar nos próximos meses. Um estudo recente conduzido pelo Escritório Regional da OMS para a África prevê que haverá cerca de 223 milhões de pessoas infectadas no continente até o primeiro ano da pandemia.

A mesma pesquisa baseada em um modelo matemático destaca a possibilidade de 150 mil mortes relacionadas ao novo coronavírus, com taxa de mortalidade de 0,06%.

Um dos maiores problemas que a região pode enfrentar é a falta de infraestrutura hospitalar e de equipamentos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), como ventiladores em casos graves. A OMS estima que 162 mil pessoas precisarão de respiradores na África. Enquanto isso, somente 23 países no continente têm menos de 50 ventiladores, e apenas dois – Marrocos e África do Sul – têm mais de 1.000. O sistema de saúde sofre com a falta de leitos de UTI e médicos capacitados para combater o vírus.

Como pode ficar

Dadas essas previsões, especialistas e as autoridades de saúde africanas temem que essa região possa se tornar o próximo epicentro da pandemia. Eles também acreditam que a covid-19 pode permanecer ativa por vários anos.

Apesar disso, algumas pessoas no continente africano veem a tragédia como uma oportunidade de “abrir os olhos” dos líderes e fazê-los investir na melhoria dos sistemas de saúde.

“A pandemia de covid-19 e os desafios que estamos enfrentando como continente devem servir de ‘olho-aberto’ para nossos governos investirem mais no sistema de saúde”, afirma Alfred Makabira, oficial do programa Advocates for Social Change Kenya.   

Entrevista Benjamin Djoudalbaye – Chefe de política e comunicação do Centro de Controle de Doenças da África

Qual a situação atual da África?

No geral, a África foi menos atingida pela covid-19 se comparada com outras regiões do mundo. Epidemiologicamente falando.

A quantidade de testes disponíveis à população parece ser um grande problema, correto?

Não há testes suficientes de covid-19 no mundo inteiro. Estamos todos competindo pela mesma quantidade existente de testes.

Como os africanos estão lidando com essa situação?

Nos últimos dias, lançamos uma parceria para acelerar o número de testes no continente africano. A iniciativa pretende mobilizar especialistas e tratar a testagem de pessoas como algo que irá minimizar o problema.

A África está preparada se os casos aumentarem?

A situação está acelerada, mas nosso envolvimento com a causa também. Estamos fazendo nosso melhor com nossos sistemas de saúde, e todos os dias estamos melhor.  

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