Edital busca abrigar idosos sem-teto da capital paulista em hotéis

Já são 22 moradores em situação de rua mortos e 58 isolados com suspeita de covid-19 na cidade de São Paulo

Por Lucas Herrero - Rádio Bandeirantes

Com 22 moradores de rua mortos e 58 isolados com suspeita de coronavírus na capital paulista, a Prefeitura de São Paulo abriu nesta sexta-feira (15) um edital para usar até 500 vagas de hotéis, buscando abrigar idosos sem-teto. Atualmente, a cidade conta com oito equipamentos emergenciais que funcionam 24 horas por dia e que foram criados recentemente, além dos núcleos já existentes, que podem ser abrigos ou locais para refeições feitas pela população em situação de rua.

Ao todo, são 17.213 vagas, sendo que ainda há cerca de 800 lugares disponíveis. Mesmo assim, a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social pretende aumentar a proteção para o chamado grupo de risco da covid-19.

A chefe da pasta, Berenice Gianella, diz que o credenciamento das empresas interessadas fica aberto até a próxima semana. Depois disso, em cerca de 10 dias, os hotéis já começam a receber os idosos. "São hotéis em várias regiões de São Paulo, onde a gente tem maior contração de população em situação de rua. Vamos começar a colocar idosos também nesses hotéis", disse.

A administração municipal vai subsidiar, no máximo, R$ 80 por pessoa diariamente e o hotel vai ser responsável por oferecer três refeições diárias e quartos com até duas vagas cada, para manter o distanciamento social.

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Sobre o tratamento da Covid-19, dois centros exclusivos foram isolados e recebem apenas quem está com suspeita ou com a doença confirmada. Na Vila Mariana, são 38 vagas. Por lá, passaram 30 moradores de rua e 27 foram liberados. Já na Lapa, são 106 vagas. 210 pessoas com suspeita receberam alta e, atualmente, 55 estão na estrutura.

Não houve óbito nos dois locais até o momento. Os casos graves foram transferidos para hospitais com estruturas mais complexas. Porém, existem moradores de rua que se recusam a procurar abrigo e a secretária Berenice Gianella, que inclusive se recuperou recentemente do vírus, conta o que a prefeitura está fazendo nesse cenário específico.

"Abrimos sete banheiros com banhos na área mais central da cidade. Em alguns, colocamos máquinas de lavar e secar roupa. A pessoa pode chegar lá, tomar um banho, se trocar, lavar sua roupa e sair com uma roupa limpa", disse Berenice. Além disso, houve um aumento na oferta de refeições e 11 pias foram instaladas no centro para que as pessoas possam utilizar os kits de higiene.

A prefeitura também adiantou a execução do programa Baixas Temperaturas, acionado apenas no inverno, quando os termômetros chegam aos 13 graus. Assim, a Secretaria está finalizando algumas visitas a Centros Educacionais Unificados para ocupar essas estruturas e expandir o número de abrigos temporários durante a epidemia.

A Defesa Civil e a Guarda Civil Metropolitana também anteciparam a distribuição de cobertores nas ruas da capital.

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