Calendário do Enem passa a ser a maior questão do exame

Isolamento tem sido obstáculo na preparação dos alunos, principalmente para os mais pobres

Por Metro Jornal

As inscrições para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2020 já estão abertas e devem ser realizadas até o dia 22. O que os candidatos ainda não sabem, porém, é se farão as provas em novembro, conforme o calendário oficial.

Principal porta de entrada para o ensino superior na rede pública, o exame está marcado para os dias 1º e 8 (impresso) e 22 e 29 (digital), mas a manutenção das datas começa a ser questionada em função dos impactos do novo coronavírus.

Titular do MEC (Ministério da Educação), Abraham Weintraub tem descartado alternativas e dado uma resposta única de que os prazos não devem ser revistos. Já o presidente Jair Bolsonaro disse ontem que “o Enem, se for o caso, atrasa um pouco, mas tem que ser aplicado este ano.”

O certo é que a pandemia impôs o fechamento de escolas, cursinhos, bibliotecas e de outros espaços públicos e privados voltados para o ensino. Os alunos têm estudo em casa, sozinhos. Também há possibilidade de se preparar pela internet a partir conteúdos enviados pelos professores e pelas escolas.

Mas essa não é a regra. Segundo dados divulgados mês passado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 20,9% dos domicílios brasileiros não têm conexão com a internet. Em 45,5% das residências, o celular é o único meio de acesso.

Presidente-executiva da organização Todos Pela Educação, Priscila Cruz disse em entrevista pela internet anteontem que a manutenção do calendário do Enem “é um descaso, é um desprezo com esses alunos” que estão impossibilitados de estudar da forma mais adequada.

A Justiça negou ontem pedido de adiamento do exame apresentado por entidades estudantis, como a UNE e a Ubes. Em nota conjunta com outras associações, o grupo escreveu que “estar fisicamente na escola e contar com a presença de professores, é o mínimo que o país tem que oferecer aos jovens e adultos antes de submeterem-se ao maior exame público e nacional que demarca o futuro de milhões de brasileiros.” Uma mobilização nas redes sociais está sendo convocada para a amanhã com a #AdiaEnem.

O ministro Abraham Weintraub tem defendido o calendário com o argumento de que o exame é uma “competição”: “As pessoas não estão podendo se preparar. Mas está difícil para todo mundo.”

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