Entenda o que é 'lockdown' e como o bloqueio é aplicado

Por Metro Jornal

Entre as muitas palavras popularizadas em função da pandemia do novo coronavírus, a mais usada neste momento parecer ser lockdown. Mas o que esse termo em inglês, geralmente traduzido como bloqueio total, significa? O Metro Jornal te ajuda a entender.

Afinal, o que é lockdown?

Em boletim epidemiológico de 9 de abril, o Ministério da Saúde definiu o lockdown como:

Bloqueio total (lockdown)
Esse é o nível mais alto de segurança e pode ser necessário em situação de grave ameaça ao sistema de saúde. Durante um bloqueio total, todas as entradas do perímetro são bloqueadas por trabalhadores de segurança e ninguém tem permissão de entrar ou sair do perímetro isolado.

O termo vem do inglês e pode ser sinônimo de confinamento, bloqueio. Segundo o dicionário de Cambridge, “é uma situação em que as pessoas não podem entrar ou sair livremente de uma área em função de uma emergência”.

Desvantagem: alto custo econômico
Vantagem: É eficaz para redução da curva de casos e dar tempo para reorganização do sistema em situação de aceleração descontrolada de casos e óbitos. Os países que implementaram conseguiram sair mais rápido do momento mais crítico.

• Conceito
O lockdown é uma ação de controle determinada pelo estado ou pela Justiça. É, no entanto, uma medida extrema. Não é uma recomendação, mas uma ordem para que as atividades sejam paralisadas e para que as pessoas não se desloquem, sob o risco de serem punidas. As punições variam de acordo com o decreto, mas, geralmente, envolvem advertência, multa em dinheiro, indiciamento e até prisão.

• Mandamentos
Não há uma regra para aplicação do lockdown. Nesta pandemia, de modo geral, as medidas estão prevendo a paralisação de todos os setores, à exceção dos essenciais, como os serviços de saúde, segurança e abastecimento, e alguns comércios, como farmácias e mercados, além de um controle mais rígido da circulação de pessoas e veículos. A população tem sido liberada só para fazer compras essenciais ou buscar atendimento médico.

• Aplicações
O lockdown pode ser decretado em diversas situações. Uma região pode ser bloqueada, por exemplo, em função de desastres naturais, por conta de ameaça terrorista ou em situações de grave conflito social.

O lockdown na prática

• Novo coronavírus
Nesta pandemia de covid-19, o lockdown tem sido empregado como a medida mais rígida de isolamento social. A ideia, com isso, é reduzir a transmissão entre as pessoas e dar tempo para que as autoridades reestruturem a rede de saúde para oferecer atendimento médico aos doentes. Segundo o coordenador do Comitê de Infectologia Pediátrica da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), Marcelo Otsuka, é “uma estratégia radical e que deve caminhar com outras medidas de prevenção, como uso de máscaras, testagem e conscientização”.

• Lockdown pelo mundo
O primeiro dessa pandemia foi determinado em cidades da província de Hubei, na China, em 23 de janeiro – entre elas Wuhan, epicentro do novo coronavírus. A medida ajudou a conter a doença. Wuhan voltou a registrar casos de covid-19 no último domingo, depois de mais de um mês sem notificações. A Europa também adotou. A Itália foi o primeiro país a determinar o bloqueio de todo o território, em 9 de março. Outras nações do bloco fizeram restrições, assim como os EUA.

• À brasileira
Algumas partes do país já estão sob lockdown. É o caso de São Luís e outras três cidades do Maranhão, bloqueadas desde o último dia 5. No Pará, dez cidades estão confinadas e quem descumpre pode ser multado em R$ 150. No Rio de Janeiro, há cidades em lockdown, como Niterói, e também bairros na capital onde a incidência da doença é maior, como Bangu. Otsuka afirmou que é possível ter áreas com mais ou menos restrição. “Em cidades com poucos casos e com triagem adequada, a restrição pode ser pensada de forma diferente. Cidades grandes, com muitos casos e que têm fluxo intenso, precisam de controle maior.”

• Em São Paulo
Tanto a prefeitura da capital como o governo do estado falam na possibilidade de decretar lockdown se o índice de isolamento continuar baixo, em menos de 50%. Divulgada ontem, uma projeção feita pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) mostrou que o lockdown será “inevitável”, pois sem as restrições o estado poderá ter até 53,5 mil casos por dia no fim de junho. O estudo também diz que o sistema de saúde pode chegar ao limite até o fim de maio. Para Otsuka, “vale a pena instituir o lockdown, pois não estamos conseguindo só com as medidas de conscientização isolar a população”.

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