Pandemia faz indústria automotiva engatar a marcha à ré

Crise global chega às montadoras, que veem a produção recuar a níveis nunca registrados na história do setor

Por Metro Jornal

No mês em que praticamente todas as montadoras suspenderam as atividades em razão da pandemia do novo coronavírus, a produção de veículos caiu 99,3% em abril ante igual mês do ano passado, informou a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Em comparação a março, houve queda de 99%.

Em abril, as fábricas produziram 1.800 unidades, o menor resultado para um mês desde o início da série histórica da Anfavea, em 1957. “Nem mesmo em períodos de greve, nunca enfrentamos um nível de produção tão baixo no país”, disse o presidente da associação, Luiz Carlos Moraes.

No acumulado do ano, a produção atinge 587,7 mil veículos, em soma que considera os segmentos de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. O resultado representa tombo de 39,1% na comparação com o primeiro quadrimestre do ano passado.

A venda de veículos novos, por sua vez, atingiu 55,7 mil unidades, queda de 76% em relação a abril do ano passado e de 65,9% na comparação com março. No acumulado do ano, foram 613,8 mil emplacamentos, recuo de 26,9% ante igual período do ano passado.

A Anfavea também informou que os pátios das fábricas e das concessionárias contavam, no fim de abril, com 237,3 mil veículos em estoque, abaixo dos 266,6 mil veículos no fim de março. Considerando o ritmo de vendas em abril, o número mais recente do estoque é suficiente para 128 dias, ou um pouco mais de quatro meses.

‘Agentes políticos estão prejudicando a economia’

Sem citar nomes, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, disse que há políticos que ainda não perceberam a gravidade da situação e as consequências da crise causada pela pandemia do novo coronavírus. “Os agentes políticos, que deveriam estar trabalhando de forma coordenada, estão prejudicando a economia”, disse o executivo.

“Eu fico trabalhando de home office, entro na internet e todo dia tem crise, além da crise de saúde. É crise de manhã, de tarde, no Ministério da Saúde, na Secretaria de Cultura, no Judiciário, no Executivo, no Legislativo. Eu queria dizer que parte dessa desvalorização cambial não é econômica, é institucional”, afirmou o presidente.

Com o aumento do risco causado pela covid-19, que deixou os bancos de varejo mais cautelosos, a participação dos bancos das montadoras nos financiamentos de veículos subiu de 45%, na média, para 60% em março. “Os bancos das montadoras estão lá quando faz sol e quando faz chuva, como instrumento para facilitar produção”, declarou o executivo.

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