Proteja seus investimentos em época de coronavírus

Por Metro Jornal

Lucas Taxweiler, especialista em investimentos da Magnetis, dá dicas de como agir diante da crise devido à pandemia, que afeta desde a Bolsa até aplicações de renda de fixa.

QUAL É O IMPACTO DA CRISE DO CORONAVÍRUS NOS INVESTIMENTOS?
A pandemia do novo coronavírus está afetando os investimentos no mercado financeiro como um todo, desde a Bolsa de Valores até a renda fixa. Ela tem efeitos tanto no desempenho das bolsas internacionais como na cotação do dólar, que nunca esteve tão alto em relação ao real. O impacto da crise levou a Bolsa a viver momentos inéditos em sua história, com o mecanismo de circuit breaker sendo acionado cinco vezes em duas semanas.

QUAL É PRINCIPAL ORIENTAÇÃO PARA PROTEGER OS INVESTIMENTOS?

O melhor a fazer é ter paciência e entender que esse tipo de oscilação acontece. A decisão de comprar ou vender por mera especulação oferece muito mais risco do que possibilidade de ganho. O que importa agora para o investidor é ter a tranquilidade de uma carteira bem construída e diversificada, que em algum momento vai recuperar as perdas ocorridas no curto prazo.

TENHO DINHEIRO NA POUPANÇA, QUE ESTÁ RENDENDO ABAIXO DA INFLAÇÃO COM A QUEDA DA SELIC. RETIRO O DINHEIRO? ONDE INVESTIR?
Com certeza. Não é novidade para ninguém que a poupança não é a melhor escolha para manter seu dinheiro – agora menos ainda. Esse tipo de investimento é remunerado com base na Selic, e rende, atualmente, 70% da taxa básica. Com a Selic no atual patamar de 3,75% ao ano, o ganho da poupança será de 2,625% ao ano, abaixo da inflação que está em torno de 3%. Um retorno abaixo da inflação significa que o investidor está perdendo dinheiro. Não em valor nominal, mas em poder de compra. Em outras palavras, os produtos que ele consome no dia a dia encarecem a uma taxa maior do que o dinheiro dele rende. Seria melhor para o investidor optar por ativos de renda fixa de alta liquidez que remunerem, pelo menos, 100% do CDI, como alguns CDBs, por exemplo.

AINDA VALE A PENA INVESTIR NO TESOURO DIRETO? EM QUAL TÍTULO?
Sim, mas depende bastante de como o investidor já está exposto em sua carteira de investimentos. O Tesouro Selic é o ativo mais seguro da economia brasileira, recomendado para investidores de perfil conservador ou para os que estão buscando diminuir o risco do portfólio atual. Já os títulos prefixados e IPCA fazem parte da “renda fixa não tão fixa”, uma vez que seu valor oscila no curto prazo baseado na perspectiva de juros futuro. O investidor que entende esse comportamento (conhecido como marcação a mercado) pode encontrar nos títulos do Tesouro Direto boas oportunidades.

ESTOU COM MEDO DE PERDER O EMPREGO. ONDE DEIXO MINHAS RESERVAS?
A reserva deve ser mantida em uma opção de alta segurança (retorno previsível) e alta liquidez (resgate rápido), pois quando necessária é importante que o investidor não demore a recebê-la ou resgate menos do que investiu inicialmente. Enquadram-se nessa descrição ativos como o Tesouro Selic, contas que rendem pelo menos 100% do CDI, Fundos DI e, dependendo do planejamento do investidor, até mesmo fundo de renda fixa com alguma exposição em crédito. De forma alguma ações devem ser utilizadas para a reserva

DEVO MUDAR A COMPOSIÇÃO DA MINHA CARTEIRA? DIMINUO OU AUMENTO A RENDA VARIÁVEL?
A decisão de mudar a composição atual da carteira de investimentos não deve, em hipótese alguma, ser baseada na busca por retornos de curto prazo de maneira especulativa. A queda de 47% da Bolsa não a impede que a desvalorização continue e não quer dizer que ela vai voltar para o patamar que estava antes de tudo isso começar. O investidor deve sempre se ater a seu perfil e manter os planos que fez em momentos mais calmos do que o atual. Recomendo, sim, aproveitar a desvalorização dos ativos para comprar, mas preservando o percentual inicialmente definido. Por exemplo, se o investidor definiu que 25% em renda variável é o ideal e por conta dos eventos recentes essa parcela desvalorizou para 15%, o melhor que se pode fazer é comprar renda variável até atingir novamente o patamar de 25%.

TENHO AÇÕES NA BOLSA. É MELHOR VENDER?
Um novo cenário sempre traz novos desafios. Com isso, diversos investidores passaram por imprevistos que excederam o valor destinado à reserva de segurança. Se esse for o caso, pode ser necessário vender as ações e faz-se de extrema importância avaliar as possibilidades junto a um especialista. Caso contrário, o melhor a fazer é manter o plano, ter paciência e entender que esse tipo de movimento acontece. A decisão de comprar ou vender por medo, ganância ou mera especulação oferece muito mais risco do que possibilidade de ganho que esse tipo de movimento acontece. A decisão de comprar ou vender por medo, ganância ou mera especulação oferece muito mais risco do que possibilidade de ganho

AINDA É POSSÍVEL APROVEITAR A QUEDA DOS PAPÉIS NA BOLSA? COMPRAR É UMA BOA OPÇÃO?
O risco de entrar em Bolsa agora é menor do que era no começo do ano, mas isso por si só não justifica a decisão do investidor de comprar papéis na queda. Caso possua um capital que não precise utilizar nos próximos dez anos e não se incomode com oscilações e quedas futuras, que certamente virão, a Bolsa pode sim se enquadrar como uma excelente opção de investimento.

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