Dólar fecha a R$ 5,06 e tem a maior alta desde o caso Joesley

Por Estadão Conteúdo

O dólar fechou pela primeira vez um pregão acima de R$ 5,00, influenciado pelo novo dia de estresse no mercado financeiro mundial em meio ao avanço da pandemia do coronavírus, levando cada vez mais países a fecharem fronteiras. O clima ruim entre o governo e o Congresso e a perspectiva de que o Banco Central deve cortar os juros de forma agressiva esta semana levam algumas casas, como UBS e Asa Bank, a prever redução de até 1 ponto porcentual na taxa básica, a Selic. O real foi, junto com o peso mexicano, a moeda com pior desempenho hoje no mercado financeiro internacional.

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No mercado à vista, o dólar fechou a R$ 5,0523, em alta de 4,90%, a maior variação porcentual desde a delação do empresário Joesley Batista, em 18 de maio de 2017, quando a moeda americana disparou 8,07%. O BC não atuou no mercado de câmbio hoje. O dólar já havia atingido R$ 5,00 durante os negócios nas últimas semanas, mas nunca fechado neste patamar. No ano, o dólar já acumula valorização de 26% e, neste mês, de 13%.

Medidas emergenciais dos bancos centrais pelo mundo não estão ajudando a acalmar os mercados. Hoje o Chile e a Coreia do Sul anunciaram cortes de juros em reunião extraordinária, seguindo a decisão do Federal Reserve ontem de praticamente zerar os juros nos Estados Unidos. Mas a visão de bancos como Goldman Sachs, Bank of America Merrill Lynch e Wells Fargo é que estes movimentos são insuficientes para impedir a piora da atividade. O Wells Fargo passou a prever avanço de apenas 1% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial em 2020, um dos menores níveis em 40 anos.

O ex-secretário do Tesouro Nacional e atual diretor do ASA Bank, Carlos Kawall, defende que, com a piora do cenário, o Banco Central "pise no acelerador" da política monetária e cambial, cortando os juros de forma mais agressiva e usando as reservas internacionais. Para acalmar o dólar, ele acredita que o BC poderia lançar um programa de US$ 50 bilhões para compras e vendas e/ou leilões de swap, com o ritmo de atuação podendo se manter discricionário. "Nossa resposta, no Brasil, tem que ser na política monetária e cambial, é onde temos gordura. Não temos espaço fiscal", disse ele.

O estrategista da Hieron Gestora de Patrimônio e Asset, Marcos De Callis, destaca que mesmo com o dólar em R$ 5,00, as expectativas para a inflação seguem ancoradas, o que dá flexibilidade para o BC cortar juros agora, seguindo o que vem fazendo outros bancos centrais pelo mundo. Nos países desenvolvidos, os BCs já foram ao limite do que podiam fazer e agora a expectativa é por medidas fiscais, que costumam ser mais demoradas, pois algumas precisam de aprovação do Congresso, ressalta ele.

Para De Callis, embora esteja distante do preço compatível com os fundamentos da economia brasileira, é difícil saber onde o dólar vai se estabilizar neste momento. Ainda há muita incerteza sobre, por exemplo, até quando os Estados Unidos e a Europa vão sofrer com a pandemia, o que ajuda a agravar o nervosismo dos investidores.

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