Crivella pede desculpas após culpar população por estragos da chuva

Por Estadão Conteúdo

Um dia após culpar "grande parte da população" pelos estragos causados pela chuva, o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), disse nesta terça-feira, 3, que "talvez tenha" se expressado mal e pediu desculpas.

Na segunda-feira, 2, ao visitar o bairro de Realengo (zona oeste), um dos mais prejudicados pela chuva que atingiu o Rio desde sábado, 29, Crivella disse que "a culpa é de grande parte da população, que joga lixo nos rios frequentemente". Revoltado, um morador não identificado lançou uma bola de lama contra o prefeito, atingido na cabeça e no ombro.

Crivella ignorou o ataque e continuou a entrevista: "Chuva no Rio é sempre um problema, mas o pior é o lixo. Temos excesso de lixo nos rios, bueiros e encostas, e, quando vem a chuva, tudo desce. As chuvas são um problema, mas dessa vez nem foram as piores que enfrentamos. Temos que agir preventivamente para não jogar lixo nas encostas. Olha a grande quantidade, esse é o problema. Se não jogarem lixo no bueiro e na beira dos rios, melhora", afirmou Crivella.

LEIA MAIS:
Defesa Civil confirma morte de 13 pessoas na Baixada Santista; 45 continuam desaparecidos
Previsão do Tempo: São Paulo terá frio e céu nublado nesta quarta-feira

Nesta terça-feira, o prefeito se reuniu por mais de duas horas com secretários municipais, no Centro de Operações Rio (unidade de monitoramento da cidade, na região central), e depois concedeu uma entrevista coletiva. Apesar das desculpas, ele citou novamente o problema do lixo: "Talvez eu tenha me expressado mal e quero até pedir desculpas, mas o apelo que faço é que a gente evite colocar lixo nas encostas", disse.

Crivella admitiu problemas na conservação da cidade e culpou a falta de dinheiro: "A conservação da cidade realmente não está nem perto do que a gente gostaria. Nessa crise toda, nós tivemos que dar prioridade para a educação e a saúde", afirmou.

O prefeito anunciou que vai retomar negociações para desapropriar 200 casas no entorno do Rio Grande, em Jacarepaguá (zona oeste), um dos pontos mais atingidos pela chuva, e vai pedir ao governo federal recursos para construir um piscinão no Maciço da Pedra Branca, também na zona oeste, mas não deu prazo para que essas iniciativas se concretizem.

Corpo da quinta vítima é encontrado
Na manhã desta terça-feira foi encontrado o corpo de Mateus Souza Oliveira, de 21 anos, que estava desaparecido desde domingo, quando acabou arrastado pela chuva em Queimados, na Baixada Fluminense. Ele é a quinta vítima do temporal – além de Oliveira, três pessoas morreram na capital e uma em Mesquita, também na Baixada Fluminense. Segundo a família, o corpo de Oliveira foi encontrado no Parque Industrial.

Também nesta terça-feira, por volta das 6h50, seis casas desabaram no Jardim América, na zona norte do Rio. Um morador chegou a ser atingido, mas teve apenas escoriações – os demais conseguiram sair antes, porque os imóveis já haviam demonstrado terem sido afetados pela chuva do final de semana.

As casas ficavam na rua Rodolfo Chambelland, às margens do rio Acari, que transbordou no domingo. Um sétimo imóvel desmoronou parcialmente, e o que sobrou seria demolido ainda nesta terça-feira. O morador desta última casa tinha saído para tomar café e estava na esquina quando o desabamento aconteceu.

"Escutamos o estrondo e viemos correndo. Quando chegamos aqui, estava só aquela poeirada toda. Caiu tudo, de uma vez só. Nosso vizinho estava preso no escombro e a gente ajudou a tirar ele. Eu cheguei aqui e minha perna chegou a ficar bamba, porque vi o vizinho preso e as casas no chão. A gente ficou sem reação até para ajudar", disse o morador à TV Globo.

Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo