Coronavírus: o que já se sabe sobre o vírus que matou 426 pessoas

Metro Jornal dá os detalhes sobre o vírus e também sobre a doença por ele causada

Por Metro Jornal com BandNews

Desde que os primeiros casos do novo coronavírus foram registrados em dezembro, na China, quase 20 mil pessoas já contraíram o vírus até segunda-feira (3). A velocidade de propagação é gigantesca, o contágio é fácil, especialmente nas grandes concentrações urbanas. E o mundo entrou em alerta.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou estado de emergência global. Empresas aéreas cancelaram voos de e para a China. Países bloquearam fronteiras. Também na segunda, o governo russo anunciou que irá expulsar estrangeiros infectados pelo coronavírus.

A crise saiu da área da saúde e contaminou a econômica e a política. Bolsas de valores despencaram em todo o mundo, e “alfinetadas” começaram a ser trocadas entre potências. A China – foco inicial da doença – acusou os EUA de espalharem pânico com o objetivo de prejudicarem o país asiático.

Para mostrar que está empenhada em combater a disseminação do novo coronavírus, o governo chinês  pôs de pé em apenas dez dias um hospital com capacidade para atender mil pacientes. As obras foram finalizadas na segunda. Outro hospital, com capacidade para 1.500 leitos, já está em construção no país.

O Brasil tinha até ontem 14 casos suspeitos sendo acompanhados pelas autoridades sanitárias. O governo anunciou medidas para conter um eventual surgimento da doença. E, após negar, acabou permitindo a repatriação de brasileiros que estão na China.

Desvendando o coronavírus

27 países têm casos confirmados

19.855 casos confirmados
• 637 pessoas curadas
• 426 pessoas mortas pelo vírus

O que é o coronavírus?
O coronavírus (CoV) é, na verdade, uma grande família de vírus que envolve também a Sars (síndrome respiratória aguda grave) e a Mers (síndrome respiratória do Oriente Médio). Uma nova variante é que está circulando desde dezembro do ano passado, agora chamada
de 2019-nCoV.

Qual sua origem?
Os primeiros casos foram registrados na cidade chinesa de Wuhan, na província de Hubei. Acredita-se que possa ter sido transmitido inicialmente por um animal selvagem vendido em um mercado de frutos do mar e por animais vivos na cidade.

Como ele é transmitido?
O vírus é transmitido pelo ar. Alguém infectado pode passar para pessoas com as quais tenha um contato próximo. Encomendas vindas da China não correm risco de transmissão da doença.

Quais são os sintomas de quem tem a doença?
Os sintomas são semelhantes aos da maior parte das doenças respiratórias: febre, nariz escorrendo, síndrome respiratória aguda grave, tosse, falta de ar, pneumonia, falência renal e diarreia. Casos graves podem evoluir para um quadro de pneumonia, síndrome respiratória aguda grave, insuficiência renal e morte.

Qual o tempo de incubação?
Três dias a duas semanas – neste período, a pessoa já pode transmitir o vírus.

Qual a sua letalidade?
A taxa de letalidade do coronavírus está em torno de 3%. Isso significa que a cada 100 casos da doença, por volta de 3 pacientes morrem.

Como é possível evitar o contágio?
De forma geral, os cuidados são os mesmos para evitar outras infecções respiratórias: higienizar sempre as mãos e evitar colocá-las nos olhos
e na boca. Pessoas doentes devem usar máscara.

Qual é o tratamento da doença?
Não existe medicação específica para combater o coronavírus. O tratamento tem como objetivo reduzir os sintomas, aguardando que o próprio organismo reaja e produza anticorpos contra o vírus. Casos mais graves podem necessitar de ventilação respiratória artificial.

Existe alguma vacina?
Atualmente, não há vacina para nenhum tipo de coronavírus.

Entrevista com Alberto Chebabo

Infectologista da UFRJ e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia

Já vimos outros vírus se espalhando globalmente – H1N1, gripe viária, gripe suína. O coronavírus traz uma situação semelhante?
É parecido, porque é um vírus novo, que veio provavelmente de origem animal, sofreu uma mutação e passou a infectar humanos. A gente não sabe ainda qual vai ser essa evolução. Pode se tornar mais brando ou o contrário, mais grave.

Uma comunicação mais rápida teria alterado o cenário atual?
Com certeza, porque você consegue fazer um bloqueio da transmissão. O que outros países estão fazendo: os pacientes são internados rapidamente e colocados em isolamento. Não existe transmissão para outras pessoas a partir disso, então você consegue bloquear a disseminação.

Qual é a gravidade do vírus?
Quase todas as mortes ocorreram na China [há um caso de morte nas Filipinas]. E 90% delas na região de Hubei. É um vírus que aparentemente causa poucos sintomas graves, a maior parte dos paciente evolui bem.

O governo federal pode fazer algo para conter a entrada do vírus?
O ideal é aumentar a vigilância para tentar detectar rapidamente quem chega doente e possa ter a infecção. O problema é que no Brasil não tem voos diretos da China que você vai monitorar. Ou vem pelo Oriente Médio ou pela Europa, e aí é uma quantidade enorme de empresas que fazem essas conexões. Outra dificuldade é o período de incubação: a pessoa pode chegar sem nenhum sintoma e desenvolver aqui.

Com o Carnaval chegando, há algum risco de aparecer algum vírus desse tipo?
Quando você tem grandes aglomerações, principalmente de vários locais, regiões diferentes do Brasil ou até do mundo, você sempre tem risco de transmissão de doenças, principalmente essas respiratórias. Em relação ao coronavírus, o risco especificamente para esse vírus no Carnaval é muito baixo.

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