Brumadinho: MP denuncia ex-presidente da Vale por homicídio duplamente qualificado

Por Estadão Conteúdo

O Ministério Público de Minas Gerais denunciou nesta terça-feira, 21, o ex-presidente da Vale Fabio Schvartsman por homicídio duplamente qualificado, pelo rompimento da barragem de rejeitos de Brumadinho, em 25 de janeiro de 2019. Além dele, outras 15 pessoas foram denunciadas, além das companhias Vale e TÜV SÜD. A tragédia deixou 270 mortos, sendo 11 ainda desaparecidos.

Para o MPMG, ficou demonstrado, no caso, "promíscua relação entre as duas empresas no sentido de esconder do poder público, sociedade e acionistas a inaceitável situação de segurança de várias barragens de mineração mantidas pela Vale". Dos indiciados hoje, 11 são executivos da Vale e os outros 5 da TÜV SÜD.

Os promotores encaminharam a denúncia à Justiça pela manhã. Outras 15 pessoas foram denunciadas pelo mesmo evento. A lista inclui funcionários da Vale e da auditoria TÜV SÜD. As duas empresas foram denunciadas por crimes ambientais.

O então diretor-executivo de Ferrosos da Vale, Peter Poppinga, não foi denunciado. De acordo com a promotora Andressa de Oliveira Lanchotti, não foram colhidos elementos de que ele tivesse conhecimento dessa cadeia de ações e omissões que levaram ao rompimento criminoso da barragem. "Hoje não temos elementos para imputar a ele os mesmos elementos que imputamos a outros denunciados", disse em entrevista coletiva nesta terça-feira, 21.

Os onze indiciados e denunciados ocupavam, à época do evento criminoso, os seguintes cargos na Vale:

  1. Fabio Schvartsman (diretor-presidente);
  2. Silmar Magalhães Silva (diretor do Corredor Sudeste);
  3. Lúcio Flavo Gallon Cavalli (diretor de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos e Carvão);
  4. Joaquim Pedro de Toledo (gerente-executivo de Planejamento, Programação e Gestão do Corredor Sudeste);
  5. Alexandre de Paula Campanha (gerente-executivo de Governança em Geotecnia e Fechamento de Mina);
  6. Renzo Albieri Guimarães de Carvalho (gerente operacional de Geotecnia do Corredor Sudeste);
  7. Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo (gerente de Gestão de Estruturas Geotécnicas);
  8. César Augusto Paulino Grandchamp (especialista técnico em Geotecnia do Corredor Sudeste);
  9. Cristina Heloíza da Silva Malheiros (engenheira sênior junto à Gerência de Geotecnia Operacional);
  10. Washington Pirete da Silva (engenheiro especialista da Gerência Executiva de Governança em Geotecnia e Fechamento de Mina);
  11. Felipe Figueiredo Rocha (engenheiro civil, atuava na Gerência de Gestão de Estruturas Geotécnicas).

Da Tüv Süd, empresa alemã responsável pelo laudo que atestou a segurança da barragem, cinco pessoas foram indiciadas e denunciadas:

  1. Chris-Peter Meier (gerente-geral da empresa);
  2. Arsênio Negro Júnior (consultor técnico);
  3. André Jum Yassuda (consultor técnico);
  4. Makoto Namba (coordenador);
  5. Marlísio Oliveira Cecílio Júnior (especialista técnico).

Em nota, a TÜV SÜD afirmou que "reitera seu compromisso em ver os fatos sobre o rompimento da barragem esclarecidos" e que continua "oferecendo cooperação às autoridades e instituições no Brasil e na Alemanha no contexto das investigações em andamento".

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