Especialistas analisam expectativas para o Brasil em 2020

Por Band

Ao realizar sua tradicional retrospectiva do ano que passou, a Band convidou especialistas em diversas áreas para traçar uma perspectiva para os próximos meses na política, na economia, no Judiciário, nas relações internacionais, no Brasil e no mundo. Leia aqui um resumo dessas análises e se prepare.

Economia

Roberto Campos Neto – Presidente do Banco Central

Devemos ter crescido mais ou menos 1% em 2019, esperamos para 2020 uma expansão [do PIB] de 2%, mas é importante enfatizar que a qualidade do crescimento é diferenciada. Ele é muito menos baseado no incentivo público, do governo, e muito mais no incentivo privado. Quando olhamos a diferença entre os dois, a parte privada está acelerando de forma bem mais consistente e com muito mais qualidade.

Os juros chegaram a um patamar que a gente já consegue ver uma situação em que haja menos dependência de um juro subsidiado. Essa taxa começou a ser transmitida para o consumidor, a parte de financiamento imobiliário, de capital de giro, em várias modalidades de crédito os juros já começaram a cair bastante. A gente começa a sentir esse efeito para a população de uma forma geral e acho que isso ajuda a sustentar o crescimento.

Reformas

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados

A reforma tributária terá o maior impacto de todas. Na administrativa você trata de controle de custo, aumento da produtividade e eficiência, melhoria da qualidade do serviço público. Na Previdência, controle de gastos, então as duas têm viés de controlar gastos.

A tributária, do meu ponto de vista, é a que vai desatar o nó da economia. Vai gerar muito estímulo a investimento, reduzir muito a administração tributária, tem casos em que ela custa de 7% a 8% a administração da empresa… A gente tem tributado demais o consumo e, quando isso acontece, se tributa de maneira igual o brasileiro que tem renda mais baixa e o que tem renda mais alta.

Então, será reduzir a alíquota de bens e serviços ao longo do tempo e ir aumentando a tributação na renda daqueles que têm maior renda e podem pagar mais impostos do que os brasileiros com salários menores.

Emprego

Sérgio Rial, CEO Santander Brasil

Eu vejo o Brasil primeiro identificando seus desafios econômicos e fazendo o trabalho de casa. Não é fácil, mas acho que a gente pode chegar ao final do ano comemorando algumas vitórias importantes. Eu estou confiante que nós vamos ser uma das poucas economias no planeta crescendo em torno de 2%. Estou otimista.

É evidente que isso não é uma resposta para quem está desempregado. Acho que o desemprego vai continuar reduzindo, mas ainda de uma maneira muito mais gradual, 2% [de crescimento do PIB] não é capaz de absorver.

Mas a noção de emprego está sendo completamente redesenhada. A gente vê um número enorme de microempreendedores, pessoas que tiveram que sair para sua sobrevivência, e é importante que o sistema financeiro se atente a isso –no nosso caso, nós somos a maior operação de microcrédito privada do país, mas falta muito por fazer.

Juros

José Berenguer – Presidente do JP Morgan Brasil

As perspectivas são muito boas. A gente vive hoje uma situação de taxas de juros bastante baixas no mundo todo. No Brasil, o controle da inflação propiciou uma redução da taxa básica, a Selic. Isso altera o comportamento dos investidores, diminui o custo de dívida das empresas e faz com que a economia se reative mais rápido do que a gente vinha prevendo.

Eu creio que nós teremos uma taxa em torno de 4,25%, 4% durante o ano de 2020, o que é muito baixo. Quando a pessoa faz a conta de quanto pode despender para comprar o imóvel e quanto vai pagar, essa taxa de juros menor acaba sendo mais adequada para o orçamento dele, fazendo com que tome a decisão de comprar o imóvel ou um veículo. Ou seja, Selic mais baixa tem impacto também nas taxas cobradas dos clientes na ponta.

Decisões do STF

Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal

Há algumas pautas que a própria política judicializa, mas que nós precisamos enfrentar, como a reforma trabalhista, provavelmente virão questionamentos da reforma da Previdência e questões do porte de armas, que já está liberado para julgamento. Alguns temas que nós temos que pautar e decidir para dar segurança jurídica.

São três questões fundamentais: trazer segurança jurídica, previsibilidade e transparência para as decisões do Poder Judiciário. 2019 mostrou a força das instituições, da imprensa e de uma sociedade que defendeu as instituições. Embora em redes sociais houvessem mal-intencionados que até com robôs tentaram atingir as instituições, a liberdade de expressão, a imprensa nas suas plataformas tradicionais e a sociedade como um todo, querendo implantar o ódio, nós resistimos a eles.

Combate à corrupção

Augusto Aras, Procurador-Geral da República

Nós estamos criando uma unidade nacional de enfrentamento à corrupção. Ela respeita o procurador natural, mas vai ter o controle dos recursos. Por quê? Para que não haja uma força-tarefa superdimensionada nem outra força-tarefa subdimensionada.

A Lava Jato é uma política de estado de combate à corrupção. Neste momento, estamos identificando as necessidades reais e os excessos em relação a cada força-tarefa. Não podemos ter personalismos, porque eles podem se transformar em projetos de poder.

Nós estamos trabalhando junto com o Supremo Tribunal Federal para formatar esse órgão interinstitucional, para haver um debate acerca das leniências. Os acordos de leniência estão sendo realizados em cada instituição e isso não faz com que a empresa seja preservada, mantenha seus emprego e continue recolhendo tributos e gerando riquezas.

Investimentos

Guilherme Benchimol – CEO e fundador da XP Inc.

Se quer ganhar dinheiro, você vai ter que aprender a diversificar e a assumir riscos no longo prazo. Isso ainda não aconteceu no Brasil, então eu vejo uma tendência natural que pessoas comecem a investir cada vez mais em fundos de ações, a aprender sobre fundos multimercados, fundos imobiliários, enfim, é uma tendência realmente começarem investir de verdade e deixarem de ser os rentistas que tivemos nos últimos anos, o que concentra a renda e não faz o país crescer.

As condições estão dadas, com juros baixos e inflação controlada. Desde o Plano Real, tivemos juros médios de 13,5% ao ano. São 25 anos sem estímulo natural ao empreendedorismo. Com juros a 5% ao ano, as pessoas começam a ter tendência natural a investir mais em negócios. Isso gera empregos, gera renda, faz o ciclo da economia se intensificar e o país ser mais próspero.

Perspectivas para o agronegócio

  • Evaristo Miranda, pesquisador da Embrapa
    A demanda mundial de alimentos está aumentando. É uma demanda que está associada a um crescimento não só de população como de poder de compra sobretudo dos asiáticos e também parte dos países árabes. Então o mercado de proteína animal tem muita perspectiva boa para 2020.
    Além disso estamos crescendo também em energia. O Brasil começou a produzir etanol a partir de milho existe uma demanda crescente por isso, alternativas interessantes para o meio ambiente, para as cidades…
    Nossa infraestrutura começa a dar sinais de melhoria. Nós concluímos o asfaltamento da BR-163, que é uma importante via de exportação, está havendo privatização dos portos e de diversas infraestruturas do agronegócio e nós esperamos que isso amplie a competitividade.
  • Tereza Cristina, ministra da Agricultura
    Nós vamos ter em 2020 o ano da retomada que nós todos esperamos. O Brasil está atrasado nisso, não podemos perder mais tempo.
    O acordo Mercosul-União Europeia foi um avanço enorme, um feito. Só a perspectiva de fechar esse acordo nos coloca numa posição de subir a régua de adequação dos nossos produtos para esse mercado, que é exigente, competitivo, que paga bem, mas para o qual nós temos que estar preparados para exportar.

Pelo mundo

Sérgio Amaral, diplomata, ex-embaixador do Brasil nos EUA

1) Sobre as manifestações populares na América Latina no ano passado e seus efeitos:
Nesse momento, a única saída que nós temos é o reforço das instituições da democracia, o reforço dos programas de distribuição de renda. Talvez o Chile prenuncie o tema que vai ser o dominante não só na América Latina, mas em vários lugares.

2) A relação entre China e Estados Unidos:
Além do déficit comercial que os Estados Unidos têm com a China, existe uma questão também que é tecnológica. A China deverá completar até 2025 o seu programa China 2025, que é o seu projeto de revolução tecnológica. Se a China completar isso, ela adquire autonomia não só industrial, mas também bélica e militar.

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