1% da população concentra 28% da renda no Brasil

Por Vanessa Selicani - Metro Jornal ABC

O Brasil continua no topo da desigualdade da distribuição de renda no mundo e está praticamente estagnado no desenvolvimento humano de sua população. Relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgado ontem mostra que o país é o segundo no ranking mundial sobre a concentração da renda nas mãos de 1% da população, atrás apenas do Qatar.

De acordo com a análise das Nações Unidas, 28% da riqueza do Brasil está no poder de 1%, considerando dados de 2015. Quando é analisado os 10% mais ricos, a concentração é de 42% do total da renda do país.

Segundo o relatório, além do Brasil, altos índices de desigualdade também estão presentes na África Subsaariana e no Oriente Médio.

A situação tem impacto direto no desenvolvimento do país. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) brasileiro atingiu no ano passado 0,761, avanço de 0,001 em relação ao anterior. A melhora pequena fez com que o país caísse uma posição no ranking mundial.

A ONU ajusta o valor levando em conta as distorções em saúde, educação e renda. Neste caso, o Brasil cai 23 posições, a maior diferença entre as 189 nações pesquisadas, com índice 0,574.

O economista e pesquisador em desenvolvimento e desigualdade Daniel Duque lembra que a desigualdade é histórica no país. “É uma situação que não tem mudado e vem de muito tempo, desde a escravidão.”

Duque afirma que apenas países que tiveram guerras ou grandes revoluções conseguiram reverter a concentração nas mãos de 1%, como no caso da Europa após a Segunda Guerra Mundial. Mas que é possível mitigar as distorções gerais nas demais classes. “Investir em políticas públicas, como acesso a educação e renda, pode ajudar na situação. Outra medida necessária seria a tributação maior de riquezas, como mudanças nas alíquotas do imposto de renda”, analisa.

Outra desigualdade apontada pelo relatório da ONU é em relação aos gêneros. Apesar de aparecem com mais anos de estudo, as mulheres brasileiras ganham 70% da renda dos homens e apenas 54% delas estão no mercado de trabalho.

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