Doação de sangue esporádica ainda é regra no país

Por Eduardo Ribeiro - Metro São Paulo

No Dia Nacional do Doador de Sangue, celebrado hoje, a Fundação Pró-Sangue evoca uma campanha inovadora para divulgar a necessidade de se manter os estoques de sangue sempre abastecidos. Ao invés de adotar uma cor específica em prol da causa, como virou costume, a Pró-Sangue sugere que empresas e instituições solidárias removam, ou melhor, doem uma cor para a campanha.

Na prática, quem tiver  o vermelho em sua identidade visual pode doá-lo como gesto de apoio à divulgação. Já as organizações que não possuem vermelho em seus símbolos também podem participar, aderindo ao preto e branco.

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Com o nome de #DoeSeuVermelho, a campanha também conta com um filtro de Instagram para que qualquer um possa participar. O filtro detecta automaticamente a coloração da foto ou vídeo e remove apenas o vermelho.

Posição do estoque da Fundação Pró-Sangue - novembro 2019

Gesto ainda é esporádico

No Brasil, só 1,6% da população doa sangue. Apesar do percentual estar dentro dos parâmetros da OMS (Organização Mundial da Saúde) – entre 1% e 3% dos habitantes de um país –, o objetivo é que mais gente doe sangue habitualmente, e não apenas em datas específicas ou quando algum conhecido precisa.

“Nas cidades grandes, a questão da doação de sangue é mais difícil do que em cidades menores, onde a pessoa sente mais a proximidade dos vizinhos e amigos”, afirmou o médico da Pró-Sangue Cassio Marcos de Carvalho Giannini. “A impessoalidade atrapalha muito o sentimento de solidariedade.”

O último balanço do Ministério da Saúde, de 2017, revelou que foram coletadas 3,4 milhões de bolsas de sangue e realizadas 2,8 milhões de transfusões. Desse total, 34% correspondem à doação de reposição – quando o indivíduo doa para atender à necessidade particular de um paciente.

“O problema é que, nem sempre, isso é bem distribuído. Eu posso ter superávit numa época e deficit na outra”, disse Giannini. “E os diferentes produtos de sangue têm seu tempo de armazenamento limitado. A plaqueta dura até sete dias, por exemplo, e o concentrado de hemáceas, até 35 dias. Precisamos dos estoques abastecidos de forma perene. O ideal seria as pessoas determinarem uma agenda para doar sangue com regularidade.”

O Brasil possui 32 hemocentros coordenadores e outros 2.066 serviços de coleta ligados ao SUS (Sistema Único de Saúde). Em São Paulo, para agendar a sua doação, basta entrar no site da fundação.

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