Dia D para o canabidiol: Votação na Anvisa nesta terça trata registro de produtos a base de cannabis

Por André Mags - Metro Porto Alegre

Uma decisão importante sobre o plantio de cannabis e a comercialização de remédios com base na planta da qual é produzida a maconha será tomada hoje, quando a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) votará temas como o cultivo e o registro de medicamentos no Brasil.

Se aprovada, a medida facilitará o registro medicinal no país, segundo Caroline Heinz, vice-presidente da HempMeds Brasil – primeira empresa a receber aprovação da Anvisa para importação de um produto à base de canabidiol, composto químico encontrado na planta e usado para a fabricação de medicamentos para minimizar dores, reduzir convulsões e síndromes, melhorar a memória, entre outros benefícios. Hoje, apenas o Mevatyl tem registro.

Professora do Serviço de Psiquiatria do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Lisia von Diemen levanta um problema no caso de aprovação do plantio. O risco é de que a planta pare nas mãos de produtores de maconha.

“Tenho muito receio dos efeitos dessa liberação do plantio porque é muito difícil a fiscalização. Como vai se garantir a destinação certa?”

Lisia von Diemen, Professora do Serviço de Psiquiatria do Hospital
de Clínicas de Porto Alegre

A regulamentação do uso medicinal da cannabis no Brasil começou em 2015, quando a Anvisa liberou a importação para a pessoa física, para uso próprio e mediante prescrição de profissional legalmente habilitado. O debate, hoje, é sobre a ampliação do acesso ao tratamento, já que não há, no Brasil, produtos semelhantes aos que as pessoas têm importado.

“Uma vez registrado, o medicamento pode ser disponibilizado nas farmácias e o paciente pode comprá-los diretamente após sair da consulta do médico. Caso contrário, os pacientes continuarão dependendo dos produtos importados, tendo que passar por todo o processo burocrático, que tem levado quase trêsmeses para conclusão.”

Caroline Heinz, vice-presidente da HempMeds Brasil

O que será decidido pela Anvisa

  • Registro de medicamentos feitos a partir de extratos e derivados da cannabis
  • Plantio de cannabis para a fabricação de medicamentos industrializados

Doenças mais mencionadas nos pedidos

  • Epilepsia: Testes mostraram redução de 39% na frequência de convulsões
  • Autismo: Permite a redução da raiva, da ansiedade e da hiperatividade. Também melhora a qualidade do sono
  • Dor crônica: Pacientes com fibromialgia relataram forte redução no número de crises – até 80%
  • Mal de Parkinson: Estudo demonstrou melhora no quadro dos pacientes sem os efeitos colaterais causados por outros remédios
  • Transtornos ansiosos: Proporciona relaxamento e auxilia para acalmar o corpo e a mente

Outros benefícios apontados

  • Intestinos: Reduz inflamações intestinais ao controlar o sistema autoimune
  • Estômago: Moderação do apetite
  • Ossos: Ajuda a aumentar a densidade óssea e a reduzir a ocorrência de doenças nos ossos

Mitos

“Faltam evidências que comprovem a eficácia” 

A eficácia do canabidiol já está provada. A substância existe na milenar medicina chinesa e já foi intensamente testada.

“É o mesmo que THC”

Embora tenham a mesma composição química, não são a mesma coisa. O THC é o responsável pelo efeito psicoativo. O canabidiol anula as propriedades do THC.

"Vicia"

A substância age mais como suplemento do que como medicamento. Não é viciante.

"Cura o câncer"

Longe disso. O canabidiol alivia alguns sintomas dos pacientes com a doença.

Canabidiol no Brasil Reprodução

Entrevista: Mercedes Ponce de Léon

Mercedes Ponce de León é porta-voz do coletivo Uruguay Siembra – organizador da Expocannabis Uruguay, que ocorre em 6, 7 e 8 de dezembro em Montevidéu – e referência no assunto no país vizinho

A cannabis medicinal tem avançado no Uruguai?

Existem várias empresas com licença de produção medicinal, flores medicinais foram exportadas para a Alemanha e há mais a ser exportado.

E o mercado mundial?

A cannabis tem muito a avançar no mundo. Veremos o equilíbrio somente quando pudermos explorar o desenvolvimento total da indústria quando a cannabis for removida da lista 1 de entorpecentes proibidos em convenções sobre drogas e nos EUA.

Ainda há o que se descobrir sobre as capacidades de cura da planta?

Já existem vários estudos que afirmam o potencial para várias doenças e ainda há muito trabalho a ser realizado para desenvolver mais e novos produtos. Tudo isso faz parte do trabalho de regulamentação. Mais possibilidades de estudo se abrem e isso é importante no campo da saúde e da ciência. A cannabis ainda pode nos surpreender bastante, desde que você possa continuar investigando sem obstáculos burocráticos e com fundos financeiros.

Uruguai foi a salvação para fotógrafo

Portador de psoríase, o fotógrafo paulista José Kianek Jr., 40 anos, convivia bem com a moléstia até o nascimento da filha. A partir de então, a doença explodiu. “Tive uma crise absurda de psoríase. Perdi praticamente a pele de todo o corpo. As mãos ficaram em carne viva. Fui na dermatologista, comecei a tomar muito corticoide e não estava resolvendo muito bem.”

Foi então que o cunhado dele, que viaja muito, sugeriu buscar canabidiol no Uruguai, onde é liberada a venda. Ele já havia usado e comprovado a eficácia da substância. Kianek aceitou a dica. Com duas gotas pela manhã e à noite, a psoríase acabou derrotada. “Foi impressionante. Em uma semana eu já estava muito melhor. Usei todo o conteúdo e nunca mais tive crise. Já faz três anos.”

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