Governo cria contas nas redes sociais para dar 'boas notícias'

Primeiras postagens trazem argumentos, em inglês e português, negando falas sobre a Amazônia

Por Estadão Conteúdo

Auxiliares palacianos de Jair Bolsonaro tentam reagir à pressão da militância bolsonarista nas redes sociais, que cobra uma defesa mais enfática do presidente. Para conter críticas, a Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) passou a atuar em duas frentes.

De um lado, o secretário Fábio Wajngarten estabeleceu uma ponte com o escritor Olavo de Carvalho, que tem influência sobre os ânimos da tropa nas redes e os principais expoentes da chamada ala ideológica do governo. Em outra frente, prevê uma ofensiva para divulgar "boas notícias".

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Esta segunda frente na estratégia para melhorar a comunicação do governo é a criação do canal "SecomVc". A iniciativa, que foi lançada ontem, tem como objetivo criar um meio de distribuição de notícias consideradas positivas pelo governo no Twitter, Facebook e YouTube e tentar, assim, influenciar a narrativa.

"O governo está em ritmo acelerado para mudar o Brasil. O problema é que muita notícia boa não chega para quem realmente importa: você", dizia o primeiro post da conta no Twitter. "Será o canal para quem torce pelo País." Além disso, o objetivo é combater o que, na visão do governo, seriam informações falsas que circulam na rede.

A equipe de comunicação utilizou ontem as contas da "SecomVc" para afirmar que a floresta amazônica está sob "ataque de fake news". As peças foram divulgadas em português e, em alguns casos, em inglês com a hashtag #AmazôniaSemFake.

A conta reproduziu, por exemplo, uma publicação feita pelo jogador de futebol português Cristiano Ronaldo para dizer que a foto utilizada por ele é de março de 2013. "Que bola fora, hein, Cristiano", diz o texto.

O canal compartilhou também a reação de Bolsonaro ao presidente francês Emmanuel Macron, que classificou as queimadas na Amazônia como uma "crise internacional". O próprio Wajngarten utilizou o Twitter para engrossar o coro contra o francês. "Ou o presidente da França está agindo de má fé ou é um completo irresponsável!", publicou, argumentando que a foto usada por Macron era antiga.

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Integração

Há também a intenção de mostrar que a comunicação do governo está mais integrada. Após assumir o cargo, em julho, o ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) contribuiu para distensionar a relação entre Wajngarten e o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, segundo relato de auxiliares de Bolsonaro. Uma das soluções foi tirar formalmente o porta-voz da Secom.

O texto de lançamento do "SecomVc" trouxe manifestações de Wajngarten e Rêgo Barros, numa indicação que o projeto tem apoio dos dois.

Rêgo Barros viu seu espaço esvaziado nas últimas semanas com o aumento das declarações do presidente, que passou a falar quase diariamente com jornalistas ao sair do Palácio da Alvorada. Auxiliares de Bolsonaro creditam muitos dos posicionamentos mais polêmicos à influência de assessores ligados ao vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente, responsável pela comunicação da campanha do ano passado.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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