Seis meses após rompimento, familiares homenageiam vítimas em Brumadinho

Por Metro Belo Horizonte

Em cada foto, memórias que revelam momentos felizes. Nos poemas, lembranças de toda uma vida interrompida abruptamente pela lama da Vale. Nos cartazes e faixas, a indignação que simboliza as cicatrizes na alma que nunca serão curadas. Nos seis meses do desastre em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, familiares e amigos das 270 vítimas fizeram homenagens. Às 12h28, horário em que a barragem na Mina do Córrego do Feijão se rompeu, lágrimas marcaram o minuto de silêncio.

Durante o ato, organizado pelo MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) com o apoio do Corpo de Bombeiros, 24 jangadas foram lançadas no rio Paraopeba, que teve as águas contaminadas pelo rejeito da mineração. Elas representavam as 22 pessoas que ainda estão desaparecidas, além de outras duas que tiveram apenas fragmentos de corpos localizados. Em seguida, cada familiar soltou um balão em memória do ente querido.

Glaucione de Souza perdeu o irmão, Eudes José de Souza. Dias antes do rompimento, ele havia pedido demissão e só estava na empresa para se despedir dos amigos. “A esposa dele ainda perdeu os dois irmãos. É muita dor, precisamos tratar com psicológicos. Minha mãe morou quase 50 anos aqui e teve que ir embora”, lamentou.

Trabalho de buscas

Nos últimos 181 dias, os trabalhos de resgate seguiram ininterruptamente no entorno da Mina do Córrego do Feijão e nas áreas mais atingidas pela lama. “Não teve nenhum dia que paramos a operação, faça chuva ou faça sol. São pelo menos 150 militares diariamente, com o apoio de dezenas de máquinas pesadas”, enfatizou o tenente Pedro Aihara. Conforme o militar, a maior dificuldade ainda é a angústia das próprias famílias. “A gente sabe que esse é um momento de doação ao outro, em poder prestar um bom serviço diante da expectativa de tanta gente”. Não há prazo para finalização das buscas.

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