Romeu Zema fala sobre situação crítica das finanças de Minas Gerais; leia entrevista

Por TV Band

Há sete meses no posto mais alto de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) ainda está longe de resolver os problemas financeiros do estado. No entanto, em entrevista ao Grupo Band Minas, o governador detalhou seus planos para sanar os cofres públicos e estabeleceu metas em sua gestão, como a privatização da Cemig e a recuperação de posições no Ideb. Confira:

Como é seu o relacionamento com a prefeitura de Belo Horizonte, levando em conta que a cidade não assinou o acordo proposto para regularização de débitos e cobra uma negociação exclusiva?
O acordo foi feito com a AMM (Associação Mineira de Municípios), que representa a maior parte dos municípios. Alguns ainda não aderiram, e nós estamos procurando todos esses municípios ou as suas respectivas associações para que venham fazer a adesão, porque, infelizmente, não existe recursos. Nós temos que lembrar que nos últimos anos Minas escondeu os problemas – ao invés de mostrá-los – e nós estamos revelando essa situação. A coisa que eu mais gostaria era de pagar o prefeito Kalil e todos os demais prefeitos de Minas, mas o único problema é que nós não temos recursos.

O que está sendo feito em relação a setores como a mineração e a indústria em Minas Gerais?
Nós vamos precisar conciliar mineração com desenvolvimento e meio ambiente. A Assembleia foi extremamente feliz ao aprovar no dia 25 de fevereiro – um mês depois da tragédia de Brumadinho –, uma nova lei em que todas as barragens que oferecem risco serão descomissionadas nos próximos anos. Eu quero que Minas seja um estado livre desse tipo de risco. Isso será conquistado em alguns anos, ainda temos barragens em risco, como a de Barão de Cocais e outras, mas isso até encontrarmos uma solução definitiva. Posso dizer ainda que várias das medidas tomadas em relação a simplificar e desburocratizar a vida de quem produz, investe e gera empregos têm mostrado eficácia. Tanto é que nos cinco primeiros meses do ano, Minas Gerais criou 53 mil novas vagas de trabalho com carteira assinada. Está longe do que precisamos, mas é o melhor número do Brasil em termos proporcionais. Estamos no rumo certo.

O PIB do estado é muito puxado pelo agronegócio, que teve um resultado positivo neste começo de ano. Quais as principais políticas do governo voltadas para esse segmento e qual a importância desse setor?
O grande impulsionador neste primeiro semestre foi justamente o agronegócio, e nós estamos atentos a esse setor, tanto que já mudamos algumas regras que impediam que vários agricultores pudessem construir pequenas barragens. O que existia aqui em Minas era uma restrição que prejudicava qualquer atividade rural. Então nós estamos destravando esse setor e vamos avançar muito mais ainda.

Segundo dados apresentados na semana passada, Minas teve uma queda nos crimes violentos. O que contribuiu para essa redução?
Acho que foi uma série de medidas. É importante lembrar que dinheiro nós não temos para investir, pois o estado está falido. Então estamos conseguindo melhorar essa questão através de trabalho e inteligência. Nós temos que admitir que essa queda é consequência do trabalho de deputados estaduais e federais que, através de emendas parlamentares, possibilitaram a aquisição de mais de 700 novas viaturas de polícia. Também estamos com um policiamento mais intensivo, principalmente naquelas regiões onde os índices não melhoraram muito. Tivemos uma quantidade de pessoas apreendidas como nunca se foi feito, que foram abordadas pela polícia, e além disso temos feito bom uso da inteligência.

A Reforma da Previdência aprovada na Câmara retirou os estados e municípios. O senhor acha que existe a possibilidade deles serem incluídos na votação do Senado?
Apesar dos estados e municípios não terem sido incluídos nessa primeira votação, já estive com vários senadores, com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e haverá uma inclusão por parte do Senado. O projeto será votado novamente na Câmara. Como nós tivemos um placar favorável é provável que sejamos incluídos.

O senhor tem batido na tecla de que o estado precisa fazer algumas privatizações, como a da Cemig. Como estão essas discussões?
Quando a situação fica muito grave, os fatos acabam se sobrepondo às opiniões, e é esse processo que estamos vivendo em Minas Gerais. Eu sempre digo que se essa questão não for aprovada neste ano, ela vai ser aprovada no ano que vem ou no próximo, numa situação mais grave ainda. O nosso processo é muito semelhante ao que o Rio de Janeiro passou. Lá, eles postergaram a solução do problema até ele ficar insustentável. A privatização em Minas é necessária porque a Cemig nos últimos anos deixou de atender quem quer consumir e gerar energia. Eu conheço diversos empresários, empreendedores e mesmo pessoas da área de habitação que solicitam ligação de energia elétrica, mas têm que esperar meses ou até anos para ter o pedido atendido pela Cemig. Tem ainda outro lado: há pessoas no norte do estado, por exemplo, que querem investir em energia fotovoltaica, e ficam anos esperando uma resposta. Então, a Cemig acabou se transformando em um órgão inibidor de capital. Ela demanda investimento de R$ 21 bilhões – lembrando que o estado é o dono da Cemig –, e não tem esse recurso em caixa. Estamos diante de um dilema. Ou privatizamos a Cemig para termos desenvolvimento ou ela continua estatal e impedindo o bom andamento das questões.

Minas Gerais não atingiu a meta do Ideb neste ano, e já há algum tempo perde posições no ranking que mede a nota dos alunos em conhecimento básicos. Isso é uma preocupação?
Qualquer pessoa que analisar o índice Ideb – que o o instrumento que mede o nível da educação no Brasil – referente aos últimos três ou quatro anos vai ver que Minas teve um recuo. Infelizmente, foi o estado que mais perdeu posições. Fica claro também que o que foi feito aqui nos últimos anos não agregou nada em termos de educação. Eu e a secretária de educação, Júlia Sant’Anna, já colocamos como meta recuperarmos essas posições que perdemos. No final de 2019 já teremos uma nova avaliação do Ideb e, com toda certeza, a partir de todo esforço que estamos fazendo – implementando medidas de gestão, que é o que melhora educação, e não ‘achismos’, como foi feito no último governo –, vamos ver evolução. Tenho certeza que o nosso trabalho vai dar resultado e Minas vai voltar a ser um dos melhores estados no índice Ideb no país.

Romeu Zema O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) / Renato Cobucci/Imprensa MG
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