Enem Digital: 50 mil alunos farão prova diferente no computador em 2020; entenda

Por Luccas Balacci

O MEC (Ministério da Educação) anunciou na quarta-feira (3) um projeto-piloto para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2020, quando os estudantes poderão optar, no momento da inscrição, por fazer a prova pelo modelo digital, ou pelo modo tradicional. A expectativa é que 50 mil pessoas devam participar da aplicação em 15 capitais.

O exame deve abolir a versão em papel em 2026. Até lá, a implantação do Enem Digital será feita de forma progressiva e opcional para os estudantes. Nada muda para os inscritos em 2019.

Segundo o presidente do Inep (órgão que elabora o Enem), Alexandre Lopes, a empresa que for contratada para realizar o exame no ano que vem será responsável por toda a infraestrutura, incluindo os locais de prova, os fiscais de sala e os computadores – o MEC não irá comprar as máquinas. A estimativa é que o projeto-piloto do ano que vem custe R$ 20 milhões.

Os objetivos da mudança são a redução da complexidade logística da aplicação dos exames e a economia com impressão. Somente em 2019, mais de 10,2 milhões de provas serão impressas. Os custos da aplicação serão de cerca de R$ 500 milhões para os mais de 5 milhões de participantes.

O Enem Digital também permitirá a utilização de questões com vídeos, infográficos e até a lógica dos games. Será possível aplicar a prova em municípios que hoje não têm estrutura para recebê-lo.

Em 2020, a aplicação do Enem Digital acontecerá em dois domingos, nos dias 11 e 18 de outubro. A prova em papel, com questões diferentes da versão eletrônica, será aplicado nos dias 1º e 8 de novembro. Nas edições seguintes, a ideia é que a prova seja aplicada em várias datas ao longo do ano.

Como será o Enem Digital

  • Enem 2020:
    50 mil pessoas devem fazer o exame
    Será aplicado em 15 capitais, de todas as regiões do país: Belém (PA), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Cuiabá (MT), Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).
  • Em 2021
    • Opcional, com duas aplicações digitais
    (datas distintas)
  • De 2022 a 2025
    • Opcional, com até quatro aplicações digitais
    (datas distintas)
  • A partir de 2026
    • Enem totalmente digital, com diversas aplicações regulares, distribuídas ao longo do ano

Análise

"Será ótimo, se chegarmos lá"
Por Matheus Prado, especialista em Enem e presidente de honra do Cursinho Henfil

A vantagem do Enem Digital será enorme, mas não vamos chegar a isso em 2026. Nada contra o governo, é pela forma como as coisas acontecem no Brasil. A maior lógica do digital é determinar o nível de proficiência do aluno sem exigir que ele faça todas as questões. Se ele passa das questões fáceis e começa a errar em sequência as de nível médio, não precisa dar a ele as difíceis, pois já saberemos o nível de proficiência. A partir desse entendimento, poderemos alterar todo o sistema de educação e parar de tentar ensinar o conteúdo mais complexo para quem ainda não aprendeu o básico.


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