Brasil atinge recorde de homicídios, com 31 mortes para cada 100 mil habitantes

Por Metro Jornal

O Brasil atingiu, em 2017, a maior taxa de homicídios dos últimos dez anos, segundo o Atlas da Violência. A pesquisa revelou que mais de 65 mil pessoas foram assassinadas no ano retrasado. Isso corresponde a cerca de 31 mortes para cada 100 mil habitantes.

O balanço foi divulgado nesta quarta-feira (5), pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). A partir dele, é possível perceber que, enquanto mais estados reduziram a taxa de letalidade violenta, o Norte e o Nordeste do país tiveram aumento considerável.

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"O recorde é um reflexo da falta de estratégia do poder público para enfrentar o problema", afirmou o professor da FGV Rafael Alcadipani, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em entrevista a Rádio Bandeirantes.

Entre 2007 e 2017, São Paulo está entre as três unidades federativas que mais reduziram o número de homicídios, com queda de 4,9%, ao lado de Rondônia (-22%) e Distrito Federal (-19.7%). Na outra ponta, o Ceará teve alta de 49,2% – ou 5.433 mortes violentas no total. A análise aponta que a taxa cresceu não só entre jovens e adolescentes, mas também contra mulheres.

O levantamento ainda aponta que o perfil recorrente das vítimas é homem, negro e com baixa escolaridade, sendo que a maior parte dos assassinatos acontece por arma de fogo. Uma das causas específicas para explicar o resultado seria a disputa de poder entre facções criminosas.

Feminicídio

Em 2017, cerca de 13 mulheres foram assassinadas por dia, num total de 4.936 vítimas. Esse foi o maior número registrado desde 2007, sendo que 66% delas eram negras.

A situação foi mais grave no estado do Rio Grande do Norte, que apresentou crescimento de 214,4%, seguido do Ceará, com 176,9%. As unidades federativas que mais reduziram esse tipo de homicídio foram Distrito Federal (-33,1%), Espírito Santo (-26,2%) e São Paulo (-22,5%).

Vale ressaltar que, em 2012, o Espírito Santo era o estado com a maior taxa de homicídios femininos no Brasil.

Violência contra LGBTI+

O Atlas da Violência reuniu, pela primeira vez, dados de violência contra a população LGBTI+. De acordo com o relatório, só entre 2016 e 2017, houve um crescimento de 127% de homicídios nessa faixa da população brasileira – considerando as denúncias feitas no Disque 100.

A maioria das vítimas são homossexuais ou bissexuais do sexo feminino, assassinadas por homens em 70% dos casos.

O Atlas da Violência utilizou os dados disponibilizados pelas secretarias da Segurança como base de coleta para o relatório. O estudo completo pode ser visto neste link.


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