Enxugamento de censo do IBGE traz risco 'incalculável ao sistema estatístico', dizem técnicos

Por André Vieira - Metro São Paulo

Pesquisa que faz a mais completa radiografia da sociedade brasileira e que servirá de base para o desenvolvimento de políticas públicas dos governos federal, estaduais e municipais pelos próximos 10 anos, o Censo 2020 será mais enxuto.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) confirmou que o questionário básico, que será aplicado em todos os domicílios, terá o número de perguntas reduzido de 37 para 25. Já o questionário completo, apresentado em uma amostra que representa 10% dos domicílios, terá 76 questões, e não mais 112.

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O corte tornará a coleta dos dados do questionário básico mais dinâmica, caindo de sete para pouco mais do que quatro minutos. A agilidade, reconheceu o IBGE, também leva em conta a falta de concentração da população para responder a questionários longos em tempos de era digital e os problemas de segurança pública.

Por força do contingenciamento orçamentário, que vale para toda a máquina federal, o IBGE terá corte de 25% nos recursos disponíveis para o Censo. O valor caiu de R$ 3,1 bilhões para R$ 2,3 bilhões, mas o instituto negou que o bloqueio tenha relação com o enxugamento.

“Essa numerologia não é a principal questão. O principal é a qualidade do questionário e as dimensões coletadas”, afirmou em entrevista na semana passada o diretor de pesquisas do IBGE, Eduardo Rios Neto.

Em risco

A redução deve provocar mudanças em questões como imigração, renda, posse de bens, deslocamento para escola e horas trabalhadas. Ao Metro Jornal, o IBGE disse que “as alterações estão sendo discutidas”.

Em carta aberta, os técnicos do IBGE declararam que não respaldam a proposta e que o enxugamento ameaça o país. “Trata-se de risco incalculável ao sistema estatístico nacional que pode resultar em danos irreparáveis para a implementação e monitoramento de políticas públicas”, com “possibilidade de prejuízo à eficácia do investimento realizado pelo Estado”.

Historiador e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Sérgio Ribeiro Santos lembrou que além de embasar os governos, os dados Censo também são uma importante ferramenta para o mundo acadêmico e para o mercado. “Questões sobre imigração, renda ou deslocamento são muito relevantes. Quais serão as alterações? Onde estes dados poderão buscados depois? O dinamismo precisa existir, mas não sem qualidade.”

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