Quais são as regiões da Grande São Paulo que mais sofrem com o calor?

Por Vanessa Selicani - Metro ABC

Os moradores dos bairros do Segundo Subdistrito de Santo André estão entre os que mais correm riscos na Grande São Paulo em dias de calor. A região ganhou destaque em estudo realizado em parceria entre Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), USP (Universidade de São Paulo) e Unifei (Universidade Federal de Itajubá), publicado na sexta-feira passada na revista cientifica “Climatic Change”.

Os pesquisadores cruzaram os dados sobre temperatura e ilhas de calor com a quantidade de idosos e IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dos bairros. O professor da Unicamp David Lapola explica que a população com mais de 65 anos é a que mais sofre com o calor.  Já o IDH foi utilizado por trazer índices de educação e saúde. “Áreas com IDH mais alto têm maior capacidade de se adaptar ao calor. Elas possuem mais condições de ter ar-condicionado e viver em regiões arborizadas, por exemplo. Já os mais pobres nem sempre possuem, além de terem nível educacional mais baixo para entender a situação e pouco acesso a saúde de qualidade.”

mapa do calor

Lapola conta que os bairros mais pobres não têm população idosa numerosa e que os ricos ocupam espaços com alto IDH. “As regiões que ficam em maior risco são as que estão no meio do caminho e com população idosa grande.”

Na Grande São Paulo, a região de risco mais alto está na zona norte de São Paulo, em especial Jardim Brasil, Vila Terezinha, Casa Verde e Brasilândia. No ABC, apenas o bairro da Vila Lucinda, em Santo André, possui a classificação muito alta de risco.

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Na categoria alta, a maior mancha do ABC está no Segundo Subdistrito de Santo André, além de grande parte de São Caetano e Parque dos Pássaros, em São Bernardo, como é possível ver em mapa acima. Os pesquisadores analisaram também as regiões metropolitanas de Vitória (ES), Natal (RN), Manaus (AM), Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS). O calor agrava problemas vasculares, aumentando o risco de infartos e AVC (Acidente Vascular Cerebral) na população idosa.

O pesquisador da Unicamp diz que há medidas que podem ser adotadas para reduzir os riscos. “A gente propõe ações complexas e de longo prazo, como mudar a urbanização e a circulação de água. Mas há outras mais simples, como melhorar a comunicação com a população de risco. Os idosos precisam tomar mais banhos frios no calor, por exemplo. Uma medida de meio termo é melhorar a arborização urbana.”

Sofrimento

A portuguesa Maria Alice Figueiredo, 80 anos, vive sozinha em uma casa próxima à praça Heliópolis, localizada no bairro em maior risco para as altas temperaturas do ABC, a Vila Lucinda. “Calor para mim é um veneno. A pressão aumenta, me sinto muito mal.”

Ela conta que, apesar do sofrimento, não tem dinheiro para ter um ar-condicionado. “Eu sou pobre, nem ventilador tenho direito. O jeito aqui no bairro é correr para sombra de uma árvore quando chega o tempo quente.”


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