Instituto de Curitiba cria ações nacionais de combate à hanseníase

Por Luccas Balacci

Foi formalizado nesta semana, em Curitiba, o Instituto Aliança Contra Hanseníase (Alliance Against Leprosy – AAL), uma instituição sem fins lucrativos, de atuação nacional, que irá promover a conscientização acerca da doença, treinamento para médicos e assistência complementar a pacientes em todo o Brasil.

Algumas das atividades desenvolvidas pelo instituto devem incluir incentivo a pesquisas relacionadas ao tratamento da doença e ações visando a capacitação de profissionais para realizar diagnósticos – que, quando tardios, aumentam a possibilidade do desenvolvimento de deficiências físicas.

“Apesar de haver cura e tratamento gratuito pelo SUS, a hanseníase ainda é negligenciada, pois falta um elo entre conhecimento sobre a doença e ação”, afirma a dermatologista e hansenologista Laila de Laguiche, que é fundadora da entidade.

A demora para identificar e tratar a doença, de acordo com Laila, deve-se ao estigma em torno da hanseníase e ao preconceito sofrido pelos pacientes. “Muitos acabam se isolando quando, na realidade, não há mais transmissão da doença após a primeira dose do medicamento”, diz.

Outro fator que pode contribuir para a demora do diagnóstico é a dificuldade em realizá-lo. A patologia – uma doença crônica causada por uma bactéria – pode levar de cinco a dez anos para dar os primeiros sinais. Uma das formas de manifestação visível é o aparecimento de lesões na pele, como manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, ressecamentos e perda de sensibilidade.

O Brasil ocupa, atualmente, o 2º lugar no ranking de países com mais casos de hanseníase, atrás somente da Índia, segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). Já no Paraná, de acordo com números da Coordenadoria Estadual de Hanseníase, 550 novos casos foram diagnosticados no ano passado.

No estado, algumas das áreas mais afetadas se localizam em cidades como Guaraqueçaba, Laranjeiras do Sul, Cianorte e Foz do Iguaçu. Esses locais de maior incidência da doença – chamados de bolsões de hanseníase – devem receber ações específicas pela instituição. Mais informações sobre o Instituto Aliança Contra Hanseníase podem ser encontradas no site.


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