'Farpas' entre Carlos Bolsonaro e Hamilton Mourão colocam em xeque papel do vice

Por Metro Brasília

Existe um jargão político que diz que o “vice é uma batida do coração distante da Presidência”. Isso quer dizer que, no plano de fundo, ele aguarda a sua vez de assumir a cadeira, caso haja algum impedimento do presidente.

O bate-boca público na última semana entre o atual vice, Hamilton Mourão, e o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) – filho do presidente – reacendeu a discussão em torno do papel do segundo cargo mais relevante do país.

Na quinta-feira, Jair Bolsonaro (PSL) chegou a destacar “a sombra” que é ter um vice. Em contrapartida, Mourão afirmou que é preciso “disciplina intelectual para entender as necessidades do presidente” e que enxerga a si mesmo como uma peça “complementar” a Bolsonaro.

Amigos com ressalvas

A relação de desconfiança revelada recentemente entre ambos não é uma exceção na história política do país. A fase de redemocratização traz dois vices que representaram uma ameaça aos titulares.

Apesar de não ter sido chamado de traidor publicamente por Fernando Collor – presidente entre 1990 e 1992 –, Itamar Franco, faltando mais de um mês para a Câmara votar a abertura do processo de impeachment que, mais tarde tiraria Collor do poder, divulgou, em agosto de 1992, um “Perfil prospectivo de um eventual Governo Itamar Franco”, ao mesmo tempo que iniciara a escolha de seus ministros.

O governo da ex-presidente Dilma Rousseff também foi marcado pelo impeachment, no qual seu vice Michel Temer teve um papel decisivo. Durante o processo, Dilma se viu sozinha na defesa pela cadeira, quando Temer, em agosto de 2015, abandonou sua função de articulador político, trabalhando nos bastidores pela destituição.

“O vice modelo”

O pernambucano Marco Maciel, contudo, era visto pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como o “vice dos sonhos”. Discreto, ele governou o país diversas vezes, entre 1995 e 2002, devido às viagens do titular. FHC o qualificava como o seu “coordenador político”. Era comum o entra e sai de parlamentares em seu gabinete.

Oito anos depois, quando Luiz Inácio Lula da Silva escolheu o empresário José Alencar para ser o seu vice, a cúpula do PT não viu a parceria com bons olhos. Mas para Lula, o então senador mineiro seria a peça fundamental para quebrar as resistências do meio empresarial e assim, ganhar as eleições. Lula e Alencar acabaram desenvolvendo forte amizade.


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