Ruído cai pela metade com Minhocão fechado

Por André Vieira, Metro Jornal

Se levado adiante, o projeto da Prefeitura de São Paulo de transformar o elevado Presidente João Goulart em parque irá reduzir pela metade a poluição sonora no Minhocão.

A conclusão está no Mapa de Ruído Urbano do centro, apresentado ontem pela ProAcústica (Associação Brasileira para a Qualidade Acústica) no dia Dia Internacional de Conscientização sobre o Ruído.

As medições mostraram que, quando está aberto aos veículos, o trecho do elevado entre a praça Roosevelt e o largo do Arouche apresenta níveis sonoros entre 69 e 76 decibéis, o mesmo que um aspirador ligado. Já quando está fechado para os carros e livre para o público, como já ocorre durante a noite e nos fins de semana, o volume cai para entre 59 e 70 decibéis.

“Esses 10 decibéis a menos significam reduzir pela metade a sensação de volume sonoro”, disse o vice-presidente de atividades técnicas da ProAcústica, Marcos Holtz.

Para o especialista, criar um parque no trecho – que a prefeitura promete entregar em dezembro de 2020 – é uma medida importante para minimizar o ruído, mesmo que um parque não seja necessariamente um hospital ou uma igreja, em termos de silêncio.

“A perturbação é pior quando a poluição sonora se combina com a poluição do ar, como no Minhocão. Além disso, há o fator psicológico. Entre o barulho de crianças brincando e de uma sirene, mesmo que os dois atinjam 60 decibéis, o ser humano entende o som da vida como mais positivo.”

Um exame na cidade

Segundo Holtz, o mapa do ruído (realizado com a prefeitura) é como um raio-X e serve para mostrar os pontos em que a poluição sonora é mais intensa e onde o poder público pode tomar medidas mais efetivas. No centro, onde 62 pontos foram examinados, além dos carros, o trem é também uma importante fonte de barulho.

O remédio, de modo geral, é para longo prazo, e envolve a troca da frota por veículos elétricos, a revisão de linhas de ônibus e investimentos em trilhos silenciosos. “Não é possível eliminar o ruído de uma cidade, mas dá para corrigir os excessos para que ninguém precise ficar doente ou mais estressado por conta disso.”


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