Orelhas gigantes serão pintadas para chamar atenção para prevenção da surdez

Por Metro Jornal

Todos os dias, até o dia 24 de julho, quem for ao shopping Frei Caneca, no bairro da Consolação (centro), vai encontrar orelhas gigantes de gesso sendo pintadas por diversos artistas.

A ação faz parte da Ear Parade, a primeira exposição de arte urbana que chama atenção para a saúde auditiva do mundo. Idealizada pelo otorrinolaringologista e professor de medicina da USP, Ricardo Ferreira Bento, a exposição busca combater os estigmas da perda de audição por meio da arte. “A população esta ficando mais idosa e a longevidade é cada vez maior. Com isso todo mundo vai ter uma perda de audição”, disse o médico. Segundo ele, é preciso criar o debate e chamar a atenção para prevenção e tratamento da surdez, principalmente para os mais jovens.

São 66 esculturas de orelhas com 2,4 m de altura decoradas por 50 artistas que transformam a audição em arte e causam a curiosidade dos que passam.  “A surdez é uma doença oculta, diferente da cegueira ou das deficiências de locomoção, precisamos gerar a curiosidade e a desmistificação do assunto”, comenta Bento.

Aos fins de semana, alunos de fonoaudiologia da USP ficam próximos ao ateliê para conversar com os curiosos sobre os cuidados de saúde auditiva e a adaptação ao aparelho auditivo. “Existe a ideia de que os aparelhos auditivos não adiantam muito, principalmente em pessoas mais velhas, mas ele melhora muito a qualidade de vida das pessoas” disse a estudante de fonoaudiologia Paola May Risetta, de 29 anos.

Artista que se voluntariou para o projeto, Sônia Butture, de 68 anos, afirma: “Existe resistência em falar desse assunto”. Ela conta que já possui problemas de audição e completa: “O fato de usar o aparelho já é discriminatório, a própria pessoa se acha discriminada por usá-lo”. Depois de prontas, as obras serão expostas em diversos pontos da cidade até agosto. Após esse período, elas serão leiloadas e o dinheiro arrecadado irá para o Hospital das Clínicas doar aparelhos auditivos em implantes cocleares (que recuperam a audição) para comunidades carentes.   

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