Diretor de 'Tropa de Elite' e 'O Mecanismo', José Padilha diz que errou ao apoiar Sérgio Moro

Por Metro Jornal

O diretor brasileiro José Padilha, responsável pela célebre trilogia de longa-metragens de "Tropa de Elite" e também pela série "O Mecanismo", na Netflix, afirmou em artigo publicado nesta terça-feira (16) que errou em apoiar o ministro da Justiça, o ex-juíz Sérgio Moro.

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Padilha é um reconhecido apoiador da Operação Lava Jato, na qual Moro atuou antes de entrar para a vida política. A série "O Mecanismo", inclusive, é inspirada nas investigações da Polícia Federal na Operação, e traz como um dos personagens principais uma figura análoga à de Moro.

No entanto, no texto de autoria própria, publicado na Folha de S. Paulo, o diretor conta o motivo de sua decepção com o ministro. "Ora, o leitor sabe que sempre apoiei a operação Lava Jato e que chamei Sergio Moro de “samurai ronin”, numa alusão à independência política que, acreditava eu, balizava a sua conduta", escreve. "Pois bem, quero reconhecer o erro que cometi."

Ele afirma que o ex-juíz perdeu sua independência política, e passou a servir aos interesses dos Bolsonaro. "Sergio Moro finge não saber o que é milícia porque perdeu sua independência e hoje trabalha para a família Bolsonaro".

O diretor continua a conectar o ministro às milícias, muito atuantes no Rio de Janeiro, base eleitoral de Jair Bolsonaro, e local onde ele e seus dois filhos, Carlos e Flávio, atuaram ou atuam no legislativo. Padilha critica também as propostas do chamado pacote anticrime, conjunto de propostas sobre segurança pública e combate à corrupção, criadas por Sérgio Moro enquanto ministro.

"O pacote anticrime que Sergio Moro enviou ao Congresso —embora razoável no que tange ao combate à corrupção corporativa e política— é absurdo no que se refere à luta contra as milícias. De fato, é um pacote pró-milícia, posto que facilita a violência policial".

Padilha também chama o ministro de "anti Falcone" – colocando-o como antítese do juiz italiano Giovanni Falconi, morto pela máfia que ajudou a processar, e inspiração para o próprio Moro.

Ele finaliza, "no contexto brasileiro, é obvio que o pacote anticrime de Moro vai estimular a violência policial, o crescimento das milícias e sua influência política. Sergio Moro foi de “samurai ronin” a “antiFalcone”.

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