‘Fui vítima de espetáculo’, diz Temer

Por Band.com.br

O ex-presidente Michel Temer (MDB) falou nesta quinta-feira pela primeira vez após ser solto da prisão. Em entrevista exclusiva à TV Bandeirantes, Temer – que se tornou réu pela quarta vez na Lava Jato, agora por supostamente bancar reforma na casa de sua filha com dinheiro de corrupção – classificou a detenção como “dolorosa”, se defendeu e se disse “vítima de um espetáculo conduzido pelos procuradores”. Leia trechos.

A reforma na casa da filha

Esse valores teriam ingressado no meses setembro, outubro e novembro de 2014. Minha filha fez a primeira parte da reforma em 2011 e a completou em 2013. Como eu poderia saber que iria receber verbas no final do outro ano para pagar aquilo? Segundo ponto, e isso eu digo aos senhores procuradores: tenham um pouco de… [pausa] Vou usar uma expressão forte: vergonha emocional. Não envolvam minha filha nisso. Eles querem fazer isso para me quebrar psicologicamente. Não quebrarão. Ao contrário, farão com que eu continue acusando-os. Os senhores precisam sair da posição de acusadores irresponsáveis para receber a minha acusação.

A volta para casa da prisão

Vim com muita vergonha no peito, com dor no coração. A Polícia Federal entrou aqui, com delicadeza, devo dizer, mas revirou tudo e saiu com uma sacolinha. Eles acharam, penso eu, que sairiam com malas e malas e saíram com uma maletinha com dois ou três celulares, dois iPads, duas agendas, nada mais.

Desvios em Angra 3

Sem um processo formado, decretou-se minha detenção. Para quê? Para fazer espetáculo. Eu sou do mundo jurídico. Se agentes da Polícia Federal, viessem e dissessem: ‘Doutor Temer, temos aqui um mandado de detenção, peço que nos acompanhe’. O que eu iria fazer? Pegar uma metralhadora e eliminá-los? Não. Iria cumprir a ordem. Mas não, fizeram o espetáculo.

Líder da quadrilha

A impressão que eles tentam causar é de que o Temer, há 45 anos, reuniu um grupo do tipo… Você assistiu a [série] ‘A Casa de Papel’? Então [rindo], vamos organizar um grupo para roubar. Na Casa de Papel é o Banco Central da Espanha, no meu caso, vamos organizar um grupo e eu vou dar as diretrizes para roubar o Brasil. Eu reconstruí o Brasil nesses últimos dois anos e oito meses. [A acusação] É de uma ficção vergonhosa.

Janot & Joesley

Sobre essa história de querer pegar a minha cabeça para exibir na parede, eu digo: vocês não vão conseguir. No caso da JBS [do empresário Joesley Batista] fizeram isso. Aqueles que foram me gravar depois foram presos. Na época eu os denunciei, depois denunciei um colega do procurador-geral [agora ex, Rodrigo Janot] e, tempos depois, estas mesmas figuras gravaram, equivocadamente, um áudio e, equivocadamente, mandaram para o procurador-geral. Daí ele não teve outra solução se não pedir a prisão dessas pessoas. E pediu mais, pediu a anulação da delação, que está lá no Supremo há um ano e até hoje não se cuidou de colocar na pauta. Veja como agem em relação à minha figura.

O senhor é corrupto?

Absolutamente, não. Aliás, basta verificar minhas contas. Autorizou-se a quebra do sigilo bancário das minhas contas. Remexeram tudo. Tem alguma notícia de irregularidade? Nenhuma. Tenho modestas quantias no banco, resultantes de 58 anos de trabalho. Não é de quem entrou agora ganhando não sei quanto. É de quem trabalhou duro advogando, sendo procurador do estado e dando aula toda noite, e também aos sábados. Tentam me imputar a pecha de corrupto, mas acho que isto bate em mim e volta para quem fala.   

Conteúdo Patrocinado
Loading...
Revisa el siguiente artículo