Professora da zona sul de SP disputa prêmio mundial

Por Metro Jornal
professora projeto Foto: André Porto/Metro Jornal

Débora Garofalo pode parecer uma professora comum de português, no entanto, ela não estaria amanhã a caminho de Dubai, nos Emirados Árabes, como uma das 10 melhores professoras do mundo pelo Global Teacher Prize (prêmio global do professor), e concorrendo à honraria máxima, se apenas ensinasse as regras da língua. Débora ousou na área de tecnologia e elaborou projeto educacional no qual os alunos constroem protótipos automatizados usando sucata.

Por meio de aulas de robótica, as crianças do 1º ao 9º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Almirante Ary Parreiras, em Santo Amaro (zona sul), estão transformando a comunidade e aprendendo sobre sustentabilidade e tecnologia.

Ela conta que no começo teve dificuldade para criar o projeto e que a ideia surgiu conversando com os alunos e entendendo a realidade em que vivem. Em dia de chuva, eles não conseguiam sair de casa por causa dos alagamentos, a água entrava nas moradias e a dengue e a leptospirose eram frequentes. “Se o lixo incomoda, vamos trabalhar nisso”, pensou Débora.

Por meio de aulas públicas oferecidas pelos alunos, eles conscientizam a comunidade sobre o lixo. Com acompanhamento de professores e pais voluntários, 780 crianças saem às ruas, conversam com os que passam e batem de porta em porta para sensibilizar os moradores sobre a questão do lixo e recolher materiais, como sucatas e eletrônicos. Mais de uma tonelada já foi recolhida.

“Eles relatam que a quantidade de lixo nas ruas diminuiu, as pessoas e os pais começaram a se sensibilizar mais. São mudanças das quais os alunos se orgulham e a comunidade tem orgulho deles.” afirmou a professora.

Crianças sentem que evoluíram com o projeto

O projeto Robótica com Sucata causa um grande impacto nas comunidades ao redor da escola, mas a mudança maior acontece nos alunos e alunas de Débora.

“Eu jogava muito lixo na rua antes e agora eu guardo para fazer os projetos, penso mais em não jogar as coisas fora e até a minha família tem feito isso”, contou a estudante Giovana Lima, 12 anos.

Para além da criação de uma consciência sustentável, as aulas também melhoraram as notas dos alunos, como as de Marina Oliveira Leal, 13. “Antes eu tirava de 5 para baixo e agora é de 7 para cima.”

Por fim, o projeto deu oportunidade para que as crianças conhecessem outras áreas do conhecimento. “Descobri aqui que gosto de programação e não iria ter contato com isso se não fosse a aula”, contou a aluna Maria Eduarda Nascimento de Souza, 13. Alguns alunos, como Lucas de Jesus Melo Lopes, 13, já pensam até em escolher uma profissão relacionada ao projeto Robótica com Sucata. “Eu acho que quero fazer engenharia ou arquitetura.”

Débora conta que no início os projetos eram só de objetos desejados pelas crianças. Com o tempo, passaram a projetar pensando nas necessidades da comunidade.

professora projeto Foto: André Porto/Metro Jornal
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