Do barulho dos tiros ao silêncio do luto; a tragédia em Suzano abalou os moradores da cidade

Por Luccas Balacci - Metro São Paulo

O estouro dos tiros, os gritos dos alunos e pouco depois de seus parentes, desesperados por informação. Todo o barulho dos primeiros momentos do atentado foi aos poucos sendo tomado pelo silêncio.

Nos arredores da escola estadual Raul Brasil, bloqueios da polícia mantinham afastados os moradores da região, que quietos acompanharam de longe o trabalho das autoridades. Um deles, que não quis se identificar, admitiu: “Estou aqui porque sou curioso mesmo.”

Missa moradores Suzano Moradores da cidade rezaram por vítimas em missa / Ueslei Marcelino/Reuters

Mais que curiosidade, porém, ficava claro que os rostos disfarçavam, sem sucesso, a tristeza de presenciar uma tragédia como essa. O bairro e a cidade foram tomados por um clima de pesar e solidariedade – todos conheciam alguém que estudava ou havia passado pela Raul Brasil.

No momento do tiroteio, casas e comércios do entorno abriram suas portas para receber os alunos que fugiam da escola pelos portões ou pulando seus altos muros. A mecânica de José Santana, 68 anos, abrigou oito adolescentes. “A gente vê essas coisas, mas nunca acha que vai acontecer tão perto”, contou o mecânico.

Na rua atrás do colégio, moradores de uma casa socorreram ao menos dez estudantes que entraram durante a correria. “Estavam em pânico. Oferecemos água e comida e ajudamos para que falassem com as suas famílias”, disse a estudante Mayara Diaciunas, 22 anos.

Em um dos bloqueios, a aposentada Maria Antônia Maia, 63 anos, representava seu neto, Pedro Henrique, de 15 anos, que por acaso acabou faltando à aula e evitou o atentado. “Ele perdeu amigos, está muito traumatizado. A gente fica sem confiar que podemos deixar nossos filhos e netos na escola com segurança”, desabafou.

Menos de um quilômetro dali, a entrada da concessionária – cujo dono, Jorge Antonio de Moraes, tio de Guilherme Taucci, foi morto pelo sobrinho antes da dupla chegar ao colégio – tinha portões fechados e um aviso de luto.

No início da noite, os moradores deram as mãos e rezaram pelas vítimas da tragédia em uma missa improvisada na rua. O muro da escola ganhou flores brancas, velas e os nomes dos oito assassinados.

Missa moradores Suzano Escola era uma das mais reconhecidas da cidade / Ueslei Marcelino/Reuters
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