Maioria dos homicídios acontece longe da região central no ABC

Por Cadu Proieti - Metro ABC

Os assassinatos no ABC em 2018 ficaram praticamente concentrados em bairros das periferias de Santo André e São Bernardo, onde a presença do poder público é menor e há mais vulnerabilidade social. É o que mostra levantamento feito pelo Metro Jornal com base nos boletins de ocorrências divulgados pela SSP (Secretaria da Segurança Pública do Estado).

Ao todo, as duas cidades somaram 93 homicídios no ano passado – alguns poucos não tiveram endereços divulgados pelo governo estadual. São Caetano não registrou esse tipo de crime no período. Em Santo André, o mapa feito pela reportagem aponta grande concentração de mortes violentas em bairros socialmente vulneráveis, como Jardim Guarará, Jardim Irene, Vila João Ramalho, Jardim Cipreste, Parque Miami, Cata Preta, entre outros. Há pelo menos 20 casos nessas localidades – foram 50 em todo o ano.

É raro assassinato nos bairros com população de maior poder aquisitivo, como Campestre, Centro, Jardim (houve um registro). Também não há ocorrências nas imediações de Utinga e Camilópolis.

Em São Bernardo, a concentração de homicídios está nos bairros da área de manancial, como Montanhão, Riacho Grande, Parque das Garças, Sítio Bom Jesus e no pós-balsa. Foram contabilizados 23 casos nas imediações desses pontos – a cidade teve 43 casos em todo o ano.

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Já no Baeta Neves, Ferrazópolis, Planalto, Nova Petrópolis, Jordanópolis, Rudge Ramos e Centro, foram bem poucas as ocorrências de homicídios em 2018.

“Dizer que a violência está ligada à esses locais citados é uma resposta muito simplista. O que tem na periferia é histórico da forma com que o estado atua, locais pautados por completo abandono no que diz respeito aos direitos civis e sociais e na violência. Não há nenhum tipo de controle quanto a criminalidade por parte do poder público. Pelo contrário, há uma vista grossa. Daí se torna um ambiente propício para uma série de conflitos. É importante dizer que associar a periferia ao crime é ter visão preconceituosa”, comenta a professora de políticas públicas da UFABC (Universidade Federal do ABC) Alessandra Teixeira, que também é pesquisadora do Observatório de Segurança Pública da Unesp (Universidade Estadual Paulista).

A especialista diz que, na maioria dos casos de assassinatos, é possível que a ocorrência envolva moradores do mesmo círculo de convívio. “Homicídios de autoria conhecida normalmente resultam de um contexto de interações de pessoas que se conhecem, até por algumas questões pessoais. Onde há descontrole sobre o crime, propicia que a violência seja endêmica [concentrada em uma região]”, analisa.

arte homicídios

Casos são devidamente investigados, diz SSP

A SSP (Secretaria da Segurança Pública do Estado) alega que no ABC “todos os casos são devidamente investigados pelos setores de homicídios das [delegacias] seccionais, que atuam para identificar e prender os autores”.

A pasta estadual diz ainda que a Polícia Militar também analisa os dados de homicídios para desenvolver operações com o objetivo de apreender armas de fogo ilegais e coibir crimes. “Sobre o ranking realizado pela reportagem, a pasta alerta para a importância de se considerar características geográficas, sazonais e sociais de cada distrito policial”, diz a nota da secretaria.

De acordo com a SSP, as polícias Civil e Militar atuam em conjunto para combater os homicídios dolosos e a criminalidade como um todo na região. “Como exemplo, em 2018, o município de São Bernardo atingiu a taxa 4,7 homicídios dolosos por 100 mil habitantes, a menor desde 1999. O número absoluto caiu 26,9%, em comparação a 2017. Além disso, 43 casos de homicídios foram esclarecidos nas duas cidades, resultando na prisão de 61 pessoas e apreensão de um menor”, justifica a secretaria.

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