Ainda tá faltando força em São Paulo

Por Metro Jornal

Depois da tempestade vem… A escuridão. Moradores de todas as regiões da cidade completaram o ditado assim desde segunda-feira (25). A falta de luz depois dos temporais que atingiram a capital nos últimos dias foi generalizada e teve gente que ficou de segunda-feira até ontem sem energia.

Para piorar, os clientes tentavam entrar em contato com a Enel (antiga Eletropaulo) para reportar seu problema e buscar solução e, quando conseguiam falar após muito tempo de espera, muitas vezes não recebiam prazo de quando a situação seria normalizada.

Um indicador de como o problema irritou os moradores da cidade é a quantidade de queixas registradas contra a Enel no site Reclame Aqui nos últimos três dias. Até domingo, a média eram 44 por dia em fevereiro. Na segunda-feira, foram 135  queixas. Na terça, o número subiu para 228 e, ontem, até as 15h30, já eram 254.

O resultado foram transtornos, irritação e prejuízos. “Ficamos sem luz das 19h30 de segunda-feira às 14h30 de hoje  [ontem]”, disse Bruna Agostinho Pinto, gerente de pet shop no Tatuapé (zona leste). Ela conta que ligou algumas vezes para a Enel, depois se uniu a outros comerciantes do bairro e foram a um posto da empresa. “Ficamos fechados na terça e hoje [ontem} até a hora que a luz voltou.”

Questionada, a Enel não informou quantos consumidores foram afetados ou quantos chamados para atender casos de falta de energia recebeu nesses dias. 

A empresa atribuiu a temporais e quedas de árvores a piora dos problemas e demora no atendimento (leia acima).

Se esse foi o problema, é melhor se preparar. O CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências) prevê que hoje o dia deve alternar períodos de chuva e de sol e há potencial, em alguns momentos, para precipitações de moderada a forte com formação de alagamentos.

Depois de 400 árvores que foram ao chão na terça-feira, ontem, os bombeiros receberam 223 chamadas para esse problema na cidade, até as 17h30.  

Para empresa, culpa foi dos temporais

A Enel (antiga Eletropaulo) atribuiu aos cinco dias seguidos de intensos temporais a falta de luz generalizada, em todas as regiões da cidade, sem prazos dados aos clientes que entraram em contato com a distribuidora.

“Eles [os temporais] vêm com ventos fortes, ontem [anteontem] tivemos ventos de até 88 km/h, nos últimos cinco dias foram mais de 8 mil raios… Isso leva a quedas de árvores, são mais de 800 árvores que caíram nos últimos cinco dias”, disse ontem o diretor de operação da Enel, Saulo Ramos, à Rádio Bandeirantes. “Tudo isso causa grande estrago na rede.”

Segundo ele, mais de 2,4 mil funcionários da empresa foram às ruas anteontem e 3,9 mil ontem para restabelecer a energia na Grande São Paulo. O número de ontem é cinco vezes o normal que está nas ruas, de acordo como executivo.

No final da tarde de ontem, a Enel disse em nota que mais de 70% dos casos de falta de luz tinham sido normalizados.  

Perdas devem ser ressarcidas

Consumidores que tiveram prejuízos com a falta de luz podem pedir ressarcimento à distribuidora.

Segundo o Procon-SP, se produtos que estavam na geladeira estragaram, o consumidor pode usar fotos da comida que estragou, nota fiscal dos produto, embalagem de remédio que perdeu a refrigeração e, por isso, não pode ser consumido para facilitar a comprovação dos danos.

No caso de aparelhos elétricos e eletrônicos queimados devido à queda ou descarga de energia, o consumidor deve registrar o fato nos canais de atendimento da concessionária para atendimento em até 90 dias, especificando os equipamentos foram danificados. A empresa deverá abrir processo específico de indenização.  

NO ESCURO:

“Estamos sem luz desde terça às 13h30. Mas isso está acontecendo desde domingo, não é de agora. Domingo, segunda, terça ficou sem luz e agora hoje [quarta]. Coloquei meu estoque no frigorífico do açougue do meu amigo na outra rua. Já joguei uma porção de hambúrgueres fora. O movimento está horrível porque ninguém vem, sem luz. Caiu uns 80%.”

José Pacheco da Silva, 73 anos, dono de uma lanchonete no Cambuci (centro), por volta das 17h30 de ontem

“Ficamos sem luz das 19h de segunda-feira às 11h de hoje [ontem]. Ficaram três dias sem aparecer e fizeram o serviço em dez minutos. Tenho dois freezeres, joguei muita comida fora, carnes, iogurtes. Nesses dias tivemos que tomar banho gelado.”

Solange Soares, 39 ANOS, fotógrafa, moradora da Penha (zona leste)

“Ficamos quase 24 horas sem energia. É um absurdo isso. Ligamos na Enel e disseram que estava tendo muito atendimento, e não deram previsão. Depois, eles nem atendiam mais. Só voltou hoje [ontem], depois das 13h.”

Cecília Gregorio, 61 anos, moradora da vila das belezas (zona sul)

“A luz acabou na terça às 14h, voltou à 1h da manhã e acabou novamente às 8h30 de hoje [ontem]. Jantamos à luz de vela, tomamos banho de ‘canequinha’ e ficamos sem ventilador nesse calor. Os iogurtes e outros perecíveis que estavam na geladeira estragaram, joguei fora.”

Mariana da Silva Orrico, 24 anos, comerciante, moradora de Ermelino Matarazzo (zona leste)

“Ficamos desde segunda sem energia. Chegou hoje [ontem] às 15h. Abrimos vários protocolos. Meu sogro precisa de oxigênio e usa cama elétrica. Ainda bem que temos um cilindro reserva, que ajudou. Ele tem uma dieta e precisa da geladeira. Perdemos vários alimentos. Já estávamos atrás
de gerador”.

Emilio Buozi, 68 anos, morador do Tatuapé (zona leste)

“Estamos sem energia desde terça, às 13h. Ligamos várias vezes na Enel e eles falaram que voltaria até hoje [ontem] às 13h, mas não voltou. Agora estamos ligando e eles nem dão previsão mais.”

Wilma Nascimento Almeida, 30 ANOS, que trabalha na óptica no CAMBUCI (CENTRO), por volta das 15h de ontem

“Está faltando energia no meu bairro desde segunda, às 20h. Depois da chuva, arrebentou o fio do poste até a minha casa. Já liguei na Enel, abri dez protocolos, eles falaram que iriam mandar um técnico, e até agora nada. Já fiz reclamação no site, rede social, Agência Nacional. Hoje [ontem], quando liguei, disseram que iriam restaurar a energia até meia-noite. Minha mãe é costureira e está desde segunda sem trabalhar. Já jogamos sacos de alimento e carne fora”.

Tiago Luiz , 27 anos, morador da penha (zona leste), por volta das 17h30 de ontem

“Ficamos das 13h da terça à 1h da manhã de hoje [ontem] sem energia”

Marcio Cunha, 47 anos, morador de Perdizes (zona oeste)

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