Mauá: Aparelho que avisa risco foi tirado de bairro em que quatro crianças morreram em deslizamento

Por Cadu Proieti - Metro ABC

Instalado em 2015 no Jardim Zaíra, em Mauá, com a promessa de ser aliado no combate aos desastres naturais, os sensores geotécnicos para prevenção de deslizamentos não estavam em funcionamento no fim de semana passado, quando quatro crianças, com idades entre 11 meses e 11 anos, morreram após desabamento na região.

O Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que disponibilizava a tecnologia para a cidade e outros oito municípios, diz que a aparelhagem foi removida há cerca de um ano.

“Esse equipamento precisa periodicamente passar por manutenção em laboratório. Depois de um tempo, ocorre desvio no sistema de leitura e se não faz o reparo pode passar informação errada. Como nosso orçamento não permite fazer contrato de manutenção de toda a rede observacional, optamos por retirar para evitar que ele fosse depredado ou vandalizado”, afirmou o diretor do Cemaden, Osvaldo Moraes.

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Segundo ele, em 2015, quando o convênio com os municípios foi assinado e houve transição entre os governos Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), o centro contava com R$ 100 milhões no orçamento anual. No ano seguinte, sob a gestão Temer, o valor caiu, de acordo com Moraes, para R$ 30 milhões. “Depois baixou para R$ 20 milhões, e a gente não tinha como fazer a manutenção de todos esses equipamentos”, justificou.

Quando foi anunciado o sistema, o então coordenador da Defesa Civil de Mauá, Sérgio Moraes, disse que a estação iria monitorar a área onde vivem 20 mil pessoas e que o equipamento daria “tranquilidade” ao Jardim Zaíra.

Apesar dessa afirmação à época, o diretor do Cemaden, que já comandava o órgão na ocasião, alega que a tragédia do último fim de semana não seria evitada com a tecnologia.

“O Cemaden enviou alerta detalhado sobre Mauá às 17h do sábado [o acidente ocorreu por volta da meia-noite], indicando, inclusive, que o Jardim Zaíra tinha risco alto para deslizamento. Essa informação vai diretamente para Defesa Civil nacional, que repassa ao município. Esse sensor não faria diferença, porque detectaria o momento em que a encosta sofre ruptura. Talvez tenha faltado um alerta [sonoro], que é a comunicação da Defesa Civil local com a população”, afirmou diretor do centro de monitoramento.

Procurada, a Prefeitura de Mauá não se pronunciou até a conclusão desta edição.

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