Esquerda ainda busca liderança depois de derrota nas eleições de 2018

Por Metro Brasília

Desde o resultado das eleições de 2018, a sombra de uma desunião entre os partidos envolve a esquerda brasileira.

Três episódios recentes endossam ainda mais o cenário de uma oposição fragmentada: a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); o bate-boca, em Salvador, do ex-ministro Ciro Gomes (PDT-SP) com estudantes da UNE (União Nacional de Estudantes); e os ínfimos 50 votos que o deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ) recebeu na escolha para o comando da Câmara dos Deputados – o número não reúne nem mesmo a bancada petista de 55 parlamentares.

Lados opostos

Sem uma liderança que consiga preencher o vazio que Lula deixou, capaz de ligar os pontos divergentes entre seus partidos, a esquerda caminha por fios desconexos e abraça slogans também carregados de ausências como “Marielle Presente” e “Lula Livre”.

O cientista político Creomar de Souza aponta que a oposição, “por uma série de equívocos que levaram à erosão da sua imagem frente a uma parte considerável do eleitorado, não conseguiu ainda se reinventar e encontrar novas pessoas que possam erigir essas bandeiras”.

Os ex-ministros Fernando Haddad (PT-RJ) e Ciro Gomes, além do deputado Freixo, trabalham para se destacarem como interlocutores nesse ambiente.

Para o candidato à Presidência da República em 2018 Guilherme Boulos (Psol-SP), as diferenças da esquerda “não são maiores do que nossa diferença com [o presidente Jair] Bolsonaro e seu projeto.”

Líder do PT na Câmara, o deputado Paulo Pimenta (RS) não vê desintegração. “A esquerda saiu fortalecida [das eleições]. As candidaturas do Haddad e da Manoela [D’Ávila] mostraram que há apoio da população para um projeto alternativo.”

A cola

Possibilidade de uma luz no fim do túnel, a reforma da Previdência – assim como a maior parte da agenda do governo federal – pode ser a cola que faltava para que os grupos de esquerda construam a coesão. “A questão fundamental é até que ponto as lideranças de esquerda querem essa unificação”, disse Souza.

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