Brumadinho: Bombeiros podem não localizar todos os corpos

Por Lucas Morais/Metro BH

Enquanto o tempo passa e deixa famílias inteiras cada vez mais abaladas pela falta de notícias, a lama da Vale seca e torna os trabalhos de buscas cada vez mais difíceis. Soterrados em meio aos milhões de metros cúbicos de rejeitos da mineração, o Corpo de Bombeiros já admite que nem todos os corpos podem ser localizados. Com a possibilidade de não ter um enterro digno, pelo menos 199 pessoas, entre moradores do bairro Parque da Cachoeira, funcionários da empresa e pessoas que estavam na pousada Nova Estância, seguem desaparecidas.

“É uma possibilidade vislumbrada em situações deste tipo, em que se tem estrutura colapsada e lama, já é esperado que alguns corpos não sejam encontrados”, enfatizou ontem o porta-voz da corporação, tenente Pedro Aihara. De acordo com o militar, a cada dia de buscas, menos vítimas são localizadas. “A gente trabalha o mais rápido possível para encontrar o maior número. Só que, evidentemente, pela característica da tragédia e a situação biológica de decomposição, alguns corpos não serão possíveis de serem recuperados, mas trabalhamos para que seja o menor número possível”, garantiu.

Nos primeiros oito quilômetros após a área do rompimento da barragem na Mina do Córrego do Feijão, a lama de rejeitos pode chegar a até 15 metros de profundidade. “Esse movimento de redução no número de corpos encontrados era esperado, pois nos primeiros dias após o rompimento eles estavam visíveis em níveis superiores da lama”, explicou o tenente.

O último balanço dos bombeiros  apontou 134 mortes confirmadas, sendo 120 corpos identificados. Devido à forte chuva que atingiu a região ontem, o resgate chegou a ser interrompido e as buscas se concentraram nas margens do rio Paraopeba.

Funcionário identificado sairia de férias no dia do desastre

De malas prontas para Porto Seguro, na Bahia, o técnico de segurança Ruberlan Antônio Sobrinho, de 49 anos, contava as horas para as férias no dia do desastre na Mina do Córrego do Feijão. Identificado na última semana pelos familiares, ele estava entre os funcionários que almoçavam no refeitório da Vale. “Só penso na minha filha desesperada, chorando, pensando no que vai fazer a partir de agora”, contou o sogro, Joaquim Adão Cândido. O último contato com a esposa, com quem era casado há 26 anos, foi na manhã da data do rompimento. Ele deixou um filho. “Na hora que eu fiquei sabendo, o telefone já não pegava mais, não conseguia falar com ninguém. O sentimento é de tristeza profunda”, finaliza Joaquim Adão.  

Não há previsão para o fim dos trabalhos | 

Buscas Brumadinho Rodrigo Campanario/AM Press & Images/Folhapress

 

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