Água chega em Santo André, mas ainda é insuficiente

Por Vanessa Selicani - Metro ABC

Após quase cinco dias sem um pingo d’água, as torneiras de parte dos bairros voltaram a funcionar na segunda-feira (4) em Santo André. O problema, de acordo com moradores ouvidos pela reportagem, é a baixa pressão com que o fornecimento retorna, insuficiente para encher as caixas d’água.

O abastecimento, ainda que lento, retornou em regiões como Condomínio Maracanã e Vila Suíça. Mas no Camilópolis, Jardim Itapoan, Jardim das Maravilhas e Parque Capuava, as torneiras permaneciam secas desde sábado. No caso do Parque Miami, moradores entraram no quinto dia sem água.

O Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) admitiu ontem que toda a cidade passou por interrupção de fornecimento nos últimos dias. “A baixa adução [volume de água que chega à cidade] prejudicou, em princípio, as regiões mais altas e vulneráveis, mas depois, com a dificuldade de recuperação dos reservatórios e a necessidade da realização de manobras para atender a todos os munícipes, toda cidade passou a ter, em algum momento do dia, a interrupção no fornecimento de água.”

O Metro Jornal mostra desde o dia 22 de janeiro os problemas enfrentados pelos moradores da cidade.

O abastecimento de água em Santo André é gerido pelo Semasa, que compra água no atacado da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).

A autarquia andreense tem afirmado que a companhia do Estado envia menos do que o necessário para abastecer a cidade. No fim de semana, o Semasa disse ter recebido 650 litros por segundo, quando o necessário são 2.200 litros.

Os motivos apresentados para o problema foram diferentes desde o dia 21. Tiveram início com manutenção de adutora, depois alto consumo por conta do calor, em seguida a razão seria o apagão de quinta-feira passada e no fim de semana, problema eletromecânico na Estação Elevatória Sapopemba, que traz a água do Sistema Rio Claro.

A Sabesp confirmou este último imprevisto, que teria ocorrido no sábado, por volta das 15h, e retornado ao normal no domingo, às 11h30.

Não há garantias de que os bairros de Santo André terão fornecimento normal hoje, já que, de acordo com o Semasa, isso depende da Sabesp. “A normalização do abastecimento, com água chegando regularmente e com pressão para as regiões mais vulneráveis, se dará se a Sabesp manter essa regularidade pelas próximas 24 horas pelo menos”, diz em nota a autarquia.

A companhia estadual afirmou mandar volume suficiente para a cidade.

Hidrômetro cobra por ar?

Moradores têm reclamado de que, mesmo sem fornecimento de água, os hidrômetros continuam a rodar. “Estamos pagando por ar. É por isso que o ponteiro continua funcionando”, afirma Sérgio Pereira, 54 anos, da Vila Suíça.

Questionado pela reportagem, o Semasa confirmou que há ar nas tubulações, mas disse que o impacto nas contas é pequeno.

“Tecnicamente falando, geralmente em locais altos, quando há intermitência no abastecimento, o ar pode entrar na rede fazendo o hidrômetro girar para frente ou para trás, conforme a aproximação e afastamento da água do cavalete. Este é um fato físico necessário. Caso contrário, a rede poderia se romper. (…) Mas destacamos que este movimento é mínimo em relação ao que o usuário paga para mais ou para menos na conta, ou seja, do seu consumo efetivo de água”, informou em nota.

A autarquia pede para que moradores que discordem de valores peçam a revisão da conta em um posto de atendimento. “O pedido será analisado, podendo ser deferido ou não.”

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