Brumadinho: Após evitar desabastecimento em BH, rio Paraopeba está contaminado

Por Lucas Morais - Metro Belo Horizonte

No rio que já foi salvação para a crise hídrica responsável por quase secar as torneiras da região metropolitana de Belo Horizonte em 2015, a água cor de sangue que traz riscos para animais e humanos. Com mais de 100 km do leito tomado pelos rejeitos de mineração da Vale, o Paraopeba está contaminado.

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“É uma tristeza muito grande. As crianças querem se banhar, os idosos querem pescar, mas não podem”, lamentou o cacique da aldeia Pataxó Hã-hã-Hãe, Hayô – os indígenas vivem a menos de 30 km do rompimento da barragem.

Análises do governo de Minas já indicam que a água do rio não deve ser usada para nada, em uma área de até 100 metros das margens. A lama deve afetar ainda 20 cidades da bacia – as autoridades garantem que o abastecimento não ficará comprometido. “A única ressalva são de pessoas que faziam a captação no rio de forma autônoma”, disse Flávio Godinho, coordenador-adjunto da Defesa Civil.

Mesmo com a redução na turbidez apontada pelo boletim do Serviço Geológico do Brasil, análises apontam a contaminação do curso d’água por metais pesados. Além de chumbo e mercúrio, que chegam a ter concentração até 21 vezes maior que o permitido, a água está tomada por níquel, cádmio e zinco.

Para o ambientalista Marcus Vinícius Polignano, a recuperação total é praticamente impossível. “Dá para estimar uns cinco hectares de mata ciliar perdida, o córrego Ferro-Carvão foi praticamente soterrado. O impacto para a biodiversidade será enorme.”

O professor do Departamento de Geografia da UFMG, Ricardo Motta, defende que é cedo para dizer que os impactos ambientais no leito serão menores em comparação com o rio Doce. “Mesmo com a abrangência geográfica menor, é possível que a devastação seja mais intensa devido às características do rejeito, que é mais denso”.

Governo dá prazo para fim de barragens

Mais baratas e menos seguras, o governo estadual deu prazo de até dois anos para que todas as mineradoras deem fim às barragens com alteamento a montante – as mesmas cujo rompimento destruiu áreas de Mariana e Brumadinho.

Cada empresa ainda deve apresentar um plano de trabalho para eliminar as estruturas, inclusive as inativas.

Veja os tipos de barragens existentes:

brumadinho tipos de barragem
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