Polícia Militar do ABC vai reforçar ações para mulheres alvo de violência

Por Vanessa Selicani - Metro ABC

A Polícia Militar do ABC quer conhecer quem são as mulheres vítimas de violência com medidas protetivas para auxiliar no cumprimento delas. O comandante da Polícia Militar no ABC, coronel Ronaldo Gonçalves Faro, afirma que o feminicídio, que é o assassinato da mulher por conta de seu gênero, preocupa. “A violência doméstica contra a mulher é mais questão de assistência social do que de polícia. Agora, quando existe a medida protetiva, temos que fazer ela ser cumprida.”

A medida protetiva envolve ações como afastamento do agressor de casa e fixação de limite mínimo de distância em relação à vítima. Ela é concedida após denúncia da agressão na delegacia, cabendo ao juiz determinar a medida.

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O projeto da PM envolve o acesso a esses processos para que as mulheres com a medida tenham proteção da polícia. De acordo com o coronel, dois agentes realizam treinamento atualmente na Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública) para que a corporação entenda como funciona o processo. “Temos que ver como operacionalizar isso. Existem locais em que há a patrulha Maria da Penha, mas acho que não precisamos criar patrulha. Posso ter uma viatura para ir até a residência da pessoa, por exemplo, no horário em que ela chega do trabalho, perguntar se tem algum problema, aumentar a confiança dela. Se houver o descumprimento da medida, que ela nos informe para que não se torne um caso mais grave.”

O comandante quer apoio da Justiça para implantar o projeto. “Muitas vezes são casos em sigilo, por envolver familiar. Então precisamos ter contato com o Judiciário, mostrar nossa proposta e ver se ele entende que pode ser feito.”

Faro conversou ontem com o Metro Jornal sobre os índices criminais do ABC no ano passado. Confira a entrevista:

O que contribuiu para redução de roubo e furto de veículos em 2018?
Realizamos operações especiais e deslocamos policiamento em pontos que nos chamam atenção. Só isso? Não. Algumas prefeituras têm investido em sistema de câmeras e isso ajudou também. A questão de furto é mais difícil. Tenho imagem de homem que leva 50 segundos para furtar um veículo novo. O proprietário só vai ter conhecimento daqui uma, duas, três horas. Quando o veículo passa nessas câmeras, não vai apontar.

Santo André teve alta nos homicídios e lidera roubo de carro. Por que isso?
Localização. Santo André tem divisa com a zona leste da capital, possui rodovias, acesso ao Rodoanel. Isso facilita as rotas de fuga. Ao que pese essa questão de roubo e furto, muitas vezes ocorre em grandes centros comerciais e perto de hospitais. A gente pede para que as pessoas observem e nos ajudem. Estamos realizando operações para aumentar a segurança e diminuir esses índices.

Tem alguma característica especifica para o homicídio na cidade?
A gente percebe casos em que há envolvimento com crime. Alguns casos são feminicídios, outros a questão da proximidade de bares. Mas muitos são brigas de criminosos.

Os latrocínios, quando há roubo seguido de morte, ganharam destaque em 2018. Quais as características deste tipo de crime?
A gente percebe que o latrocínio é uma ação violenta, em que não haveria necessidade da morte. A culpa nunca é da vítima, ela tem direito de usar seu bem. Mas em razão dessa situação atual, a gente orienta a ter preocupação maior com segurança. Muitas vezes a pessoa é vítima porque estava conversando na porta do condomínio, ou estava dentro do carro vendo o celular.

Que reflexos a flexibilização da posse de arma podem trazer para a segurança?
A medida diz de posse em residências. De maneira geral, não haveria impacto no meu serviço porque fazemos o preventivo na rua. Pode ter questão da pessoa que tem a posse e usa como porte. Isso não pode. Agora, a gente tem que fazer estudo muito profundo. Não dá para dizer se é bom ou ruim. Precisa de análise depois de algum tempo, de como era e como ficou. Se pensar no lado do criminoso, sabendo que pode ter alguém ali armado na casa, pode ser que ele desista do roubo.

Em que fase está a implantação do Baep (Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar)?
É certo que a instalação ocorrerá. Ele estará lá em São Bernardo, onde o prefeito Orlando Morando cedeu o prédio e está fazendo as reformas. O Baep será inaugurado em junho, mas em abril já estará atuando na região. Estamos em fase de planejamento, preparação do efetivo, do material, porque é uma tropa que precisa de treinamento específico.

Como funciona o Baep?
É um batalhão de ações especiais que vai fazer combate aos crimes mais violentos, como homicídio, roubo. Precisamos combater também o tráfico de drogas e talvez essa seja a importância maior desse Baep. Ele vai fazer frente a essas grandes organizações criminosas.

Haverá reforço de policiais?
Sim. Tenho “x” homens e vou receber mais um pouco. Não vai ser deslocamento. O comando geral já definiu e vai passar o número para nós.

Tem números?
O Baep deve começar com previsão de 286 homens.

Qual a meta para este ano?
Nossa meta é sempre diminuir o índice em relação ao ano passado. Temos que ter o pé no chão. O ideal era não ter crimes aqui. Que a comunidade tivesse mais tranquilidade. Mas o principal objetivo é reduzir em relação ao ano passado. Aliás, que a população tenha melhora na percepção da segurança. (Os índices) Não são o ideal, mas estão abaixando. Às vezes, as redes sociais acabam trazendo mais preocupação do que ajuda. Um roubo se torna 15 roubos. Vai passando de um para outro e aumentando. As pessoas potencializam os fatos. Precisa ter cuidado nas grandes metrópoles. Não andar com celular na mão nem em local ermo, evitar conversar na porta de casa. Tem que tomar alguns cuidados. Mas estamos em caminho que dá para melhor ainda mais.

O que dá para trabalhar na questão do feminicídio?
Se formos analisar, a PM faz trabalho preventivo, que é o policiamento nas ruas. Nesse caso, é mais questão de assistência social do que policial. Agora, quando existe a medida protetiva, temos que fazer ela ser cumprida. Nós mandamos dois policiais fazer um curso na Senap (Secretaria Nacional de Segurança Pública) para entender o sistema que eles têm, para que possamos dar auxílio neste sentido. Temos que ver como operacionalizar isso. Existem locais que têm a patrulha Maria da Penha, mas acho que não precisamos criar patrulha para isso. Mas posso ter uma viatura para ir até a residência da pessoa, no horário que ela chega do trabalho, perguntar se tem algum problema, aumentar a confiança. A pessoa tendo essa medida e alguém descumprindo, ela poderá informar para a polícia imediatamente para que não se torne um caso mais grave.

Você tem acesso a quem tem a medida?
Não. Como muitas vezes são casos em sigilo, por envolver familiar, precisamos ter contato com o judiciário, mostrar nossa proposta e ver se ele entende que pode ser feito. Nós precisamos trabalhar corretamente. É um trabalho que estamos pensando aqui, não podemos atuar em todas as frentes, mas preocupa por conta do numero de feminicídio.

Assaltos em ponto de ônibus, o que tem sido feito?
Um ponto importante é que as vítimas alertem a polícia sobre isso. O boletim de ocorrência é o melhor caminho. É bom que ela anote as características do ladrão. Sei que quando se é vítima, acaba se perdendo em tudo. Mas tente manter o controle. Nesses roubos pode acontecer fato mais grave. O que tem mais valor, minha vida ou celular? Culpa não é da vítima, mas tem que ter cuidado. Nós mudamos horários de patrulhamento, colocamos tudo que é possível na rua para amenizar a situação. Diminuiu muito, mas o problema ainda existe. Algumas coisas dependem também do poder público. Se os ônibus chegassem na hora, o passageiro não ficaria tanto tempo no ponto. Os aplicativos podem ajudar a chegar na hora certa.

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