Papa Francisco admite que Igreja Católica está 'ferida por seu pecado'

Por Ansa

Poucos dias antes de realizar uma reunião de bispos para debater o escândalo sobre abusos sexuais contra menores no clero, o papa Francisco reconheceu neste sábado (26) que a Igreja Católica está "ferida por seu pecado".

A declaração foi dada durante mensagem à comunidade religiosa reunida por ocasião da JMJ (Jornada Mundial da Juventude), que acontece até o próximo domingo (26), no Panamá. Durante uma missa na catedral Santa María La Antigua, o Pontífice fez um alerta sobre o "cansaço da esperança", que "nasce ao constatar uma Igreja ferida por seu pecado e que tantas vezes não soube escutar tantos gritos".

O apelo de Francisco acontece menos de um mês da reunião de bispos convocada pelo líder católico onde a expectativa é de que medidas concretas sejam definidas para combater os casos de pedofilia envolvendo religiosos, informou o porta-voz do Vaticano, Alessandro Gisotti. No Panamá, o Papa ainda ressaltou que a Igreja foi tomada por "um cansaço paralisante", justamente por isso "não soube como reagir diante da intensidade e da perplexidade das mudanças que estamos atravessando como sociedade".

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Para Jorge Bergoglio, essa situação deixou "em dúvida, em muitos casos", a viabilidade da vida religiosa no mundo atual. Migrantes Ontem (25), o líder da Igreja Católica ressaltou que os migrantes não podem ser vistos como os principais responsáveis pelo "mal social". A declaração foi dada em meio à crise de xenofobia enfrentada por milhares de centro-americanos e venezuelanos.

Francisco alertou que é preciso ser a Igreja que "não estigmatiza e generaliza na mais absurda e irresponsável condenação de identificar todo imigrante como portador do mal social".

Na via crúcis realizada na JMJ no Panamá, o Papa fez um apelo para os fiéis serem comprometidos com todas as pessoas que precisam fugir de sua terra natal. "Queremos ser a Igreja que propicie uma cultura que saiba acolher, proteger, promover e integrar", acrescentou Jorge Bergoglio aos cerca de 400 mil fiéis.

Na sexta, o Pontífice também realizou uma visita a um centro de reclusão de menores e reprovou os "muros invisíveis" que dividem a sociedade entre "bons e maus" e criticou os "rótulos e estigmas" que têm desqualificados as pessoas. "Rótulos que, definitivamente, só fazem dividir. Essa atitude contamina tudo porque ergue um muro invisível que faz acreditar que marginalizando, separando, isolando, todos os problemas serão resolvidos magicamente", disse.

A JMJ 2019 acontece até domingo (27), no Panamá, primeiro país da América Central a acolher uma edição internacional do maior evento promovido pela Igreja Católica.
Ainda neste sábado (26), Francisco participa de uma vigília ao ar livre com os jovens.

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