Secretário estadual da Educação garante material escolar até fim de março

Por Rádio Bandeirantes

Em entrevista aos jornalistas José Paulo de Andrade, Salomão Ésper e Pedro Campos, no programa Jornal Gente, da Rádio Bandeirantes, o secretário estadual da Educação, Rossieli Soares da Silva, disse que há dificuldades para o início do ano letivo, mas garante material escolar até o fim de março.   

O que muda com a implantação neste ano da base nacional comum curricular para as escolas públicas?

Nós temos uma necessidade de adaptação. Base nacional até o fundamental foi aprovada no conselho no final de 2017 e durante 2018. São Paulo, junto com os municípios, discutiu o currículo do ensino fundamental, que foi entregue ao conselho no final de dezembro e ainda está em avaliação. Neste momento, para os alunos, nós ainda temos a fase final de elaboração do currículo do fundamental e vamos começar o debate, considerando que foi aprovada a base, no ensino médio. Vamos começar o debate e fazê-lo durante 2019 para que em 2020 a gente já tenha um novo currículo paulista também para o ensino médio.

Vai começar o ano letivo no prazo? Há apreensão de quem tem filho nas escolas estaduais pelos problemas elencados pela secretaria.

Nós encontramos alguns problemas especialmente com a decisão do TJ (Tribunal de Justiça) de setembro ou outubro do ano passado, que não podia contratar professores temporários. Estamos fazendo todos os esforços necessários para que tenhamos os professores. O governador (João) Doria (PSDB) conseguiu junto ao STF (Superior Tribunal Federal) uma liminar que permite que até o fim do julgamento do processo a gente possa contratar professores temporários. Então teremos esses professores. Estamos trabalhando, inclusive, com situações emergenciais, pedindo que outros profissionais, professores que estejam designados em alguma outra função, ajude para não ter liberação (dos alunos) caso falte algum professor. É importante pedir, inclusive, para o vice-diretor, professor, coordenador fazer algum projeto, alguma atividade com as crianças para que não tenhamos liberação de alunos caso algum lugar ainda esteja sem professor atribuído. Acho que conseguiremos ter os professores. E temos o problema do material escolar, que é exatamente de não ter o caderno, lápis, caneta para os alunos. Na capital, o contrato havia sido assinado em novembro e está sendo entregue. Para a Grande São Paulo, para o interior, não. Assinamos esse contrato no dia 8 de janeiro. A licitação previa 150 dias para a entrega. Conseguimos negociar, começam a entregar em fevereiro, um grande lote termina de entregar no dia 11 de março apenas e 100%  durante março. Ou seja, teremos sim algumas dificuldades.

Qual o número da evasão escolar dentro do ensino médio?

Hoje nós temos evasão em torno de 20% aqui em São Paulo. E não estou considerando o que acontece antes. Entre 1º e 2º anos já tem muito. Do 9º para o 1º também. Em geral, esse jovem já teve reprovação, já está com 16, 17 anos, muitos já precisando trabalhar, e olhando e pensando que o ensino médio não está ajudando ele naquilo que precisa. Outra grande dificuldade é entre 5º e 6º ano. Temos taxa de reprovação muito grande. Se não olhar lá na base, vai acumulando tanto problema que o menino chega no ensino médio e não tem condição de continuar.

Qual o melhor professor: o temporário ou o concursado?

Acho que não é assim que pode responder. Lógico que precisa fazer o concurso e dar estabilidade, condições, mas um bom professor vai trabalhar bem com a turma. Não é a questão do vínculo, mas o cuidado com as crianças. Sempre precisaremos ter os temporários. As pessoas precisam entender que professor entra em licença, fica doente, que precisa ter o temporário para uma série de situações. Proibição absoluta de ter o temporário é muito ruim para a educação. Ter professor, independente do vínculo, acompanhando os alunos, é o que precisa. Precisa do foco naquilo que é essencial, que é a criança aprender. Se não focar na aprendizagem, vai continuar pecando.

Ainda existe aprovação automática?

Existe ainda a política de ciclo. Ela está sendo aplicada de três em três anos. Depois, a criança pode ser retida ou não. A política de ciclo não é o problema. No meu entendimento, problema é se você deixa de forma relapsa, a aprendizagem. O professor faz o diagnóstico lá no primeiro aninho. Tem que apoiar a criança lá no primeiro ano, independente da reprovação. O que significa uma reprovação para uma criança de sete anos? Se ela não entendeu o processo de alfabetização, ele não entendeu a reprovação, diferente do ensino médio. Não sou a favor da aprovação de qualquer jeito, mas não sou da reprovação de qualquer jeito.  

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