Líder oposicionista se autodeclara presidente da Venezuela; entenda a crise de Maduro desde o início

Por Metro Jornal

Nesta quarta-feira, venezuelanos voltaram às ruas para exigir a saída do líder Nicolás Maduro do poder. O líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, autoproclamou-se presidente interino da Venezuela, frente a intensa rejeição do atual governante.

Os manifestantes se concentram em diversas partes de El Paraiso, contra a crescente crise econômica que acomete o país. Com a inflação, mesmo os produtos mais básicos ficam escassos ou inacessíveis à maioria da população.

Muitos optam por deixar o país, causando um intenso êxodo populacional e uma verdadeira crise migratória, que impacta não apenas a Venezuela, mas muitos países-destino – entre eles, o próprio Brasil.

Para entender a situação atual da Venezuela, é preciso voltar no tempo.

A morte de Chávez

Em abril de 2013, após enfrentar um câncer, o então presidente Hugo Chávez morre. Seu vice e escolhido para sucessão, Nicolas Maduro, é eleito presidente, com uma margem reduzida de votos.

Enquanto Chávez, como líder populista, tinha aprovação da população, Maduro inicia seu mandato enfrentando uma oposição fortalecida.

O petróleo cai

Com a queda dos preços do petróleo, o carro-chefe da economia venezuelana, o governo não consegue manter os altos gastos públicos estabelecidos por Chávez.

Isto gera prejuízos para a segurança, a educação, e o padrão de vida na Venezuela. Não oferecendo à população as mesmas condições prometidas por seu antecessor, Maduro baseia sua imagem e popularidade basicamente na lealdade do povo à Chávez, que supostamente o escolhera como representante.

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Ataques à oposição

A administração de Maduro desde o início tem sido marcada por constantes ameaças aos oposicionistas, seja ofendendo-a verbalmente, ordenando prisões, ou acusando-a de conspiração contra o governo e o povo.

Interrompendo e impedindo protestos com uso da violência, Maduro rapidamente ganha uma face autoritária e mesmo ditatorial.

Relatos de venezuelanos denunciam a prisão, tortura, assassinato ou desaparecimento de membros da oposição. Tais acontecimentos fazem da crise na Venezuela não apenas econômica, mas humanitária.

No entanto, em 2015, a oposição ganha forças com a vitória da Unidade Democrática em eleições legislativas. Chega ao fim um domínio de 16 anos do partido socialista na Assembleia Nacional venezuelana.

O referendo

Com a moeda do país desvalorizada e protestos cada vez mais violentos, a oposição lança em 2017 um referendo não oficial, em que sete milhões de venezuelanos rejeitam a proposta de Maduro de convocar uma nova assembleia constituinte.

Mesmo com o boicote da oposição e reprovação internacional, os novos constituintes são eleitos no mesmo ano.

Uma nova moeda

A desvalorização da moeda venezuelana continua, e a inflação não dá sinais de recuo. Comprar itens cotidianos, como comida e água, requer milhares de bolívares.

Então, em agosto de 2018, o governo lança uma medida para tentar conter a hiperinflação – que já atinge mais de 82.000%. Assim, a moeda venezuelana deixa de ser o bolívar para tornar-se o "bolívar soberano", com cinco zeros a menos.

Para entender a mudança, temos como exemplo a nota de 500 bolívares soberanos. Ela equivale exatamente 50 milhões de bolívares. Como a inflação aumenta os preços a ponto de cada item valer muitas vezes mais a cada mês, era comum que venezuelanos tivessem de carregar sacos de dinheiro pela rua para fazer compras. O bolívar soberano, supostamente, auxiliaria a diminuir a inflação e estimular o giro econômico.

Êxodo venezuelano

Desde as origens da crise em 2014, as Nações Unidas estimam que mais de dois milhões tenham deixado a Venezuela. A maioria se realoca no Peru, Equador, Colômbia e no Brazil, causando tensão com estes países.

A entrada de venezuelanos no Brasil tem sido tema frequente mesmo na política brasileira, com a proteção das fronteiras do país, a concessão de asilo e mesmo a xenofobia sendo discutidas.

Políticas de realocação e suporte à população imigrante começam a ser implementadas, mas, ao mesmo tempo, diversos relatos de violência contra estes indivíduos foram registrados nos últimos meses.

Eleições questionadas

Com as eleições de 2018, a população da Venezuela volta a eleger Maduro.

Ele inicia seu segundo mandato em 10 de janeiro de 2019. A legitimidade das eleições e da presidência do líder é intensamente questionada pela posição e por grande parte da comunidade internacional.

No dia seguinte, Juan Guaidó, líder da Assembleia Nacional, convoca um protesto massivo nas ruas do país. Em meio a manifestações que se estendem até esta quarta, a Assembleia – que não tem reconhecimento do governo de Maduro, por ser liderada pela oposição – declara Guaidó como presidente da Venezuela.

A declaração tem apoio do presidente estadunidense Donald Trump, e da Organização dos Estados Americanos.

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